
Os democratas James Talarico e Gina Hinojosa vencem as disputas pelo Senado e pelo governo do Texas, segundo projeções da NBC e da Associated Press. Os resultados das eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3), rompem décadas de domínio republicano nas duas disputas e impõem um revés a Donald Trump em um dos principais redutos de seu partido.
Talarico é o primeiro democrata eleito para o Senado pelo Texas desde 1988, quando Lloyd Bentsen conquistou seu último mandato. São 38 anos entre as duas vitórias eleitorais. O democrata derrota Ken Paxton, procurador-geral do estado e candidato apoiado por Trump, que venceu a indicação republicana contra o senador John Cornyn.
Para o governo estadual, o intervalo é de 36 anos: a última vitória democrata havia sido a de Ann Richards, em 1990. Os republicanos ocupam o cargo desde janeiro de 1995, quando George W. Bush assumiu. Hinojosa derrota Greg Abbott, que governa o Texas desde 2015 e buscava um quarto mandato.

A virada no Texas atinge duas candidaturas centrais dos republicanos e transfere para a oposição uma cadeira no Senado, além do comando estadual. Trump venceu o estado nas três eleições presidenciais que disputou, mas o partido não consegue preservar essas duas posições nas midterms.
Deputado estadual e seminarista, Talarico construiu a campanha em torno da desigualdade econômica e do combate à corrupção. O democrata procurou atrair independentes e republicanos insatisfeitos com Paxton e defendeu que a principal divisão política está entre os mais ricos e o restante da população.
Hinojosa é deputada estadual desde 2016 e será a primeira governadora hispânica do Texas. Advogada com atuação em direitos civis e trabalhistas, fez da educação uma das prioridades da campanha e criticou a condução do financiamento das escolas públicas durante o governo Abbott.
Os resultados texanos integram o avanço democrata na apuração das eleições dos Estados Unidos. A oposição já tem maioria projetada na Câmara dos Representantes e busca também o controle do Senado, o que ampliaria sua capacidade de limitar a agenda de Trump e fiscalizar o governo.