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Plano de Trump para ampliar poder no Texas vira tiro pela culatra; entenda

Donald Trump
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Foto: Elizabeth Frantz/Reuters

O plano de Donald Trump para ampliar a bancada republicana do Texas na Câmara dos Representantes terminou com o partido menor. Pressionados pelo presidente, os republicanos redesenharam os distritos eleitorais do estado em 2025 para conquistar cinco cadeiras democratas nas eleições de terça-feira (3). Venceram em apenas uma delas e perderam outras duas que controlavam.

A meta era chegar a 30 deputados republicanos, deixando os democratas com oito das 38 vagas texanas na Câmara federal. O resultado foi de 24 republicanos e 14 democratas. No início da atual legislatura, o partido de Trump tinha 25 representantes pelo estado. A estratégia pretendia reforçar a maioria governista em Washington, mas acabou reduzindo a contribuição do Texas para essa bancada.

A manobra operava pelas fronteiras eleitorais. Nos Estados Unidos, cada distrito elege um deputado federal. Ao redesenhar essas áreas para favorecer um partido, prática conhecida como “gerrymandering”, é possível redistribuir eleitores e alterar a vantagem de cada candidatura.

No Texas, os cinco distritos democratas visados foram remodelados para que, recalculados os votos de 2024 dentro das novas fronteiras, Trump tivesse vantagem de pelo menos dez pontos percentuais. Isso não acrescentou cadeiras ao estado: buscava trocar o partido que ocuparia vagas existentes.

A aposta dependia da manutenção dos ganhos de Trump entre os latinos em 2024. Esse eleitorado representava a maioria das pessoas aptas a votar em quatro dos cinco distritos visados. Mas a mudança de preferência de eleitores latinos ajudou o avanço democrata. O desenho apoiado na votação anterior não garantiu a repetição daquele comportamento em 2026.

eleições EUA
Urna de votação nos Estados Unidos. Foto: Nathan Howard/Reuters

No sul do estado, Henry Cuellar e Vicente Gonzalez se reelegeram, apesar da inclusão de mais eleitores de Trump em seus distritos. Na região de San Antonio, Johnny Garcia derrotou Carlos De La Cruz no 35º Distrito. Em Houston, Leticia Gutierrez venceu Alex Mealer no 9º, uma área em que Trump teria aberto 20 pontos de vantagem em 2024 sob as novas fronteiras. Foram quatro derrotas nos cinco alvos da operação republicana.

Além de fracassar nessas tentativas, o partido perdeu terreno onde já controlava cadeiras. O músico Bobby Pulido derrotou a deputada Monica De La Cruz no 15º Distrito, no Vale do Rio Grande. No 23º, a advogada e ex-professora Katy Padilla Stout venceu Brandon Herrera, youtuber e ativista pró-armas. A cadeira havia ficado vaga após a renúncia do republicano Tony Gonzales. Os resultados divulgados pela Secretaria de Estado do Texas confirmam a vantagem dos democratas nessas disputas, com todos os locais de votação informados.

O redesenho enfrentou resistência antes de chegar às urnas. Deputados estaduais democratas deixaram o Texas para impedir temporariamente o quórum necessário à aprovação do mapa. A disputa também estimulou a mobilização de eleitores e a preparação de fiscais e advogados para acompanhar a eleição. Ainda assim, os republicanos conseguiram implementar as novas fronteiras para o pleito de 2026.

O objetivo nacional também fracassou: os democratas conquistaram a maioria nas duas Casas do Congresso. A nova composição assume em janeiro de 2027, impondo uma oposição fortalecida aos dois últimos anos do mandato de Trump. No Texas, o presidente conseguiu mudar o mapa, mas não assegurar os votos de que precisava para transformar cinco cadeiras democratas em uma proteção para seu governo.