A adoração inexplicável do brasileiro por Messi, gênio que vira um anão na seleção argentina. Por Kiko Nogueira

Messi perde o pênalti contra a Islândia

 

Messi teve uma atuação apagada no empate contra os aborígenes da Islândia, mostrando mais uma vez sua diferença para com Cristiano Ronaldo (Davi Nogueira cantou essa bola).

O gigante do Barcelona é um anão na seleção.

Foram necessários dois vikings com o sufixo “sson” no nome para anular sua canhota.

No entanto, seguiremos amando La Pulga como se não houvesse amanhã.

Messi é um gênio absoluto do futebol e é um privilégio ser seu contemporâneo.

Dito isto, a adoração dos brasileiros pelo craque da Argentina é um caso clássico de narcisismo às avessas.

Temos ruas com as cores branca e azul, crianças batizadas de Lionel, fantasias sobre a superioridade moral dele e de seus companheiros por causa de um amistoso cancelado em Israel (por razões de segurança, não políticas).

Não adiantam as nossas Copas do Mundo, não adiantam os times incríveis que tivemos, não adiantam os mundiais do Corinthians, não adiantam o São Paulo de Telê, o Inter de 75-76, o Flamengo de Zico e Adílio, não adiantam Pelé, Garrincha, Rivelino, Sócrates, Didi etc etc – Messi inventou o futebol e nós precisamos reverenciá-lo.

Não estou falando que concordo com o ufanismo rasteiro ou com a rivalidade estúpida alimentados por cronistas burros.

Não precisamos odiar Messi e os hermanos. Mas não temos por que nos subjugar.

Monteiro Lobato dizia que somos um “tipo imprestável” e que precisamos do “concurso vivificador do sangue de alguma raça original”.

Em todos os canais de esportes, locutores e comentaristas que adoravam repetir aqueles clichês de que o único jeito de “parar o Messi” era trancar seus marcadores no vestiário e coisas do gênero – todos eles, em massa, estavam calados ou com o riso do Alzheimer.

Na Globo, o narrador insistia que a Islândia “não é zebra”. Isso numa equipe cujo técnico é dentista.

E o que será desses fãs se Messi não voltar a repetir, daqui para a frente, suas grandes partidas?

E se a melhor fase tiver passado definitivamente, como acontece com todo atleta com a exceção de Romero, e Messi se arrastar pelas próximas semanas até a eliminação do torneio?

Provavelmente, teremos um haraquiri coletivo, dando aos argentinos um motivo para sorrir numa tragédia que deveria ser só deles.

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