A nova vítima da crise na mídia impressa é a melhor revista de cidades do mundo, a New York

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A revista New York anunciou que vai deixar de ser semanal. A partir de março, vira quinzenal. Assim como o fim da versão impressa da Newsweek e a tentativa frustrada de venda da Time, é mais um sinal marcante do fim de uma era.

Numa reunião com seu estafe em Manhattan, o editor Adam Moss resumiu a situação. “Nós já conversávamos sobre isso há um tempo e não há como não ficar melancólico”, disse ele. “Mas eu não estaria fazendo isso se não acreditasse que poderíamos fazer uma revista melhor e continuar a crescer tanto na versão impressa como no online.”

A New York tem cerca de 400 mil  assinantes. Está 9,2% abaixo do ano passado em receita de publicidade e as perspectivas não são boas. Em compensação, o site cresceu 19% em audiência nos últimos oito meses. A ideia é usar a economia gerada de US$ 3,5 milhões no online. Ainda não se fala em demissões. A periodicidade é uma jogada ousada — há pouquíssimos casos de publicações quinzenais bem sucedidas nos EUA.

A direção quer também investir mais em moda e luxo, segmentos um pouco menos afetados pela crise. Segmentos esses que, tradicionalmente, não fazem parte da receita da New York.

“Todos nós somos românticos em relação ao impresso”, disse o CEO Anup Bagaria a David Carr, do New York Times. “Mas ao percebermos que essa é a maneira de continuarmos fazendo o que fazemos, acho que as pessoas ficaram animadas.”

A New York foi criada em 1968 e sempre teve um alto padrão jornalístico. Era a melhor revista de cidades do mundo e, não por acaso, a mais imitada. Espirituosa, liberal, antenada, era o símbolo da cidade que foi o centro do mundo. Clay Felker, o fundador, havia saído da Esquire e publicou ali os maiores nomes do New Journalism, como Tom Wolfe e Jimmy Breslin. Foi na New York que Wolfe escreveu, por exemplo, a lendária capa sobre o “radical chic”. Nora Ephron, depois diretora e roteirista (“When Harry Me Sally”) era frequente em suas páginas.

Não parou de ganhar todos os prêmios possíveis nesses 45 anos. O roteiro de shows, filmes, peças de teatro, a seleção de restaurantes, eram consulta obrigatória antes da Internet matar as listas (como matou a ótima Time Out).

Com as mudanças, passam a circular 29 edições ao ano, ao invés de 42. No site, uma matéria avisa que haverá 20% mais conteúdo editorial, além de novas seções e novos blogs. “[A editora] New York Media tem sido líder tanto no papel quanto no digital e continua excedendo nossas expectativas”, afirma Bagaria. “Essas transformações servem para nos posicionar melhor para continuarmos crescendo”.

Um leitor deixou um comentário: “Bem, eu estava cansado mesmo da pilha de revistas lacradas que jogava no lixo toda semana…” E colocou o vídeo abaixo para ilustrar a conversa dos proprietários:

 

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