A revolta de Michelle com a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência

Atualizado em 20 de abril de 2026 às 10:23
Michelle e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência ainda nem se consolidou por inteiro, mas já enfrenta uma ameaça dentro de casa: a resistência, velada ou aberta, de pessoas com acesso direto ao entorno mais íntimo de Jair Bolsonaro. O foco da tensão está na insatisfação de Michelle Bolsonaro e de aliados próximos com o fato de ela ter sido deixada de lado na disputa principal, apesar de ser vista por parte do bolsonarismo como nome mais competitivo para herdar o capital político do ex-presidente.

Segundo Ricardo Noblat, no Metrópoles, aliados dizem que o golpista condenado está concentrado em problemas de saúde e se prepara para mais um procedimento médico, desta vez no ombro direito, após exames confirmarem uma lesão de alto grau. Nesse cenário, sobra menos espaço para arbitrar as disputas domésticas do clã.

É justamente nesse vácuo que crescem os ruídos em torno da escolha de Flávio, alimentados por pessoas próximas de Michelle que passaram a vocalizar em público críticas que, nos bastidores, já circulavam havia algum tempo.

O episódio mais evidente aconteceu no último fim de semana, quando o maquiador Agustin Fernandez, amigo de longa data de Michelle, atacou diretamente a viabilidade eleitoral do senador. Em entrevista ao canal Iron Studios, afirmou: “O estereótipo do Flávio é o que a direita já teve e, por conta disso, nunca chegou à Presidência. Porque esse perfil é polido, engessado, sem um fio de cabelo fora do lugar. Ele não se conecta com a empregada doméstica, nem com o vendedor ambulante”.

Na mesma fala, Agustin elevou ainda mais o tom ao defender Michelle como única herdeira legítima do bolsonarismo. “[Michelle] é a única que consegue herdar 100% do capital político de Bolsonaro. Se eles não têm essa estratégia, esse discernimento, o ego e a vaidade são maiores que a própria causa, então a gente tem que se foder com mais um mandato do Lula”.

Ele também afirmou que não pretende apoiar a pré-candidatura de Flávio: “Não vou me incomodar fazendo vídeo e perder meu tempo sabendo que a gente vai sofrer uma puta derrota. Pois o Lula tem o Judiciário, tem a mídia, tem bala na agulha, a máquina e ainda tem carisma e ele consegue chegar em todo mundo”.

Agustin ainda chamou de “deplorável” a atitude de Flávio ao anunciar a pré-candidatura enquanto Jair Bolsonaro estava internado para uma cirurgia de hérnia inguinal. “Bolsonaro, internado, vai passar por uma cirurgia de alto risco. E aí eu pego uma carta, tipo um testamento, e eu leio isso para imprensa na porta do hospital. Isso para mim é uma das situações mais deploráveis que o ser humano pode passar”, disse.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.