Advogado de Carlos Bolsonaro é irmão de desembargador que assessorou Dias Toffoli em três órgãos

O vereador Carlos Bolsonaro. Imagem: Reprodução

No fim de julho, foi encerrado um processo que o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho 02 do presidente, movia contra a empresa de serviços financeiros Citigroup. Carlos pedia indenização por ter perdido R$ 130 mil em investimentos na bolsa de valores, há 12 anos.

Ele acusava uma corretora, que hoje pertence ao Citigroup, de não realizar os investimentos de acordo com as suas orientações.

Carlos perdeu a ação e ainda foi condenado a pagar as custas, despesas processuais e honorários advocatícios da parte adversária, o que correspondia a R$ 59,8 mil. O caso transitou em julgado em dezembro de 2020, ou seja, o vereador não tinha mais como recorrer e estava obrigado a pagar o valor estipulado ao Citigroup.

Porém, pouco tempo depois, Carlos apareceu com outro advogado e um acordo resolvendo a situação “sem a realização de qualquer montante, de parte a parte” foi anexado no processo. O Citigroup estranhamente abriu mão de receber o valor que tinha direito, já que a ação estava transitada em julgado, e aceitou o acordo, encerrando o caso no fim de julho deste ano.

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Seu advogado durante todo o processo, antes da troca, foi Marcelo Vieira von Adamek, irmão do desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Carlos Vieira von Adamek, que foi braço-direito do ministro do Superior Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.

Carlos von Adamek assessorou Toffoli em três oportunidades: no STF, de maio de 2010 a maio de 2014, passando pelos cargos de Magistrado Instrutor e Juiz Auxiliar; no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de maio de 2014 a maio de 2016, ocupando o cargo de Secretário-Geral da Presidência, enquanto Toffoli foi presidente; e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de setembro de 2018 a setembro de 2020, no cargo de Secretário-Geral, enquanto Toffoli também exerceu a presidência.

Atualmente, Carlos von Adamek continua como Secretário-Geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mesmo após o fim do mandato de Dias Toffoli.

Acumulação de funções

Uma reportagem da Folha de S. Paulo de fevereiro de 2018 mostra que o irmão do advogado de Carlos Bolsonaro acumulava função em três órgãos diferentes e chegou a ter média salarial mensal de R$ 70 mil entre setembro de 2016 e dezembro de 2017.

Na época, Carlos von Adamek era Juiz Auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça, coordenava inspeções do Conselho Nacional de Justiça pelos tribunais do país e era juiz instrutor no gabinete do ministro Luís Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), participando de julgamentos virtuais no tribunal de São Paulo. Ele mora em Brasília, em casa própria, e em fevereiro de 2018 recebia auxílio-moradia de R$ 4.377,73, que era pago pelo TJ-SP.

O acúmulo das funções foi autorizado pelo Tribunal de Justiça do Estado. O desembargador disse, à época, que “é possível a cumulação dessas atribuições, que podem ser desempenhadas na maior parte das vezes remotamente”.

Pessoas próximas a Adamek o consideram um juiz competente e o classificam como alguém “viciado em trabalhar”.

Além do irmão advogar para Carlos Bolsonaro, o filho de Carlos von Adamek, Rafael Pina von Adamek, foi contratado para defender o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), o deputado estadual Júlio Garcia (PSD-SC), em 2020, acusado de lavagem de dinheiro, corrupção ativa, fraude em licitação e formação de organização criminosa.

Mesmo com esse currículo, Garcia quase se tornou governador de Santa Catarina durante o processo de impeachment que não teve sucesso em retirar Carlos Moisés (PSL) e sua vice, Daniela Reinehr (PSL), do cargo.