AO VIVO: Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam na Globo a dois dias do segundo turno

Atualizado em 23 de outubro de 2026 às 22:18
Flávio Bolsonaro Lula
O candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente e candidato a reeleição Lula (PT). Foto: Agustin Marcarian/Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentam nesta sexta-feira (23), na TV Globo, no último debate antes do segundo turno, marcado para domingo (25). O encontro tem início às 21h20, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação de César Tralli. O DCM acompanha com checagem de fatos em tempo real.

As anotações de Flávio Bolsonaro para o debate trazem a orientação de “falar para elas” e projetar uma imagem de “estadista”, segundo a Folha de S.Paulo. Tarcísio de Freitas (Republicanos) participou dos treinamentos do senador, enquanto Pablo Marçal ficou fora dessa etapa após críticas à atuação na Band. Lula ensaiou respostas a provocações e a apresentação de propostas com Sidônio Palmeira e a jornalista Olga Curado.

Horas antes do confronto, a campanha de Lula pediu ao Tribunal Superior Eleitoral a cassação da candidatura de Flávio Bolsonaro por suspeita de financiamento eleitoral ilícito relacionado a “Dark Horse”, filme sobre Bolsonaro. A ação pede oito anos de inelegibilidade para o senador e Eduardo Bolsonaro, além do rastreamento de transferências internacionais. A coligação petista sustenta que recursos ligados ao Banco Master podem ter favorecido eleitoralmente o candidato do PL.

O canal de WhatsApp “Exército do Lula” chegou a 10 milhões de seguidores nesta sexta-feira. Administrada pelo deputado André Janones (Rede-MG), a ferramenta recebeu uma decisão favorável de Floriano de Azevedo Marques, do TSE, que bloqueou novas suspensões por ato administrativo de Kassio Nunes Marques. Google e X também informaram que não identificaram irregularidades na mobilização em suas plataformas: o Google não encontrou sinais de tráfego automatizado nos termos examinados, e o X apontou atuação predominantemente de perfis autênticos.

Lula e Flávio Bolsonaro também apresentaram autorizações para abertura de seus sigilos, após o desafio lançado pelo presidente no debate da Band. O senador acrescentou à discussão a cobrança por gastos com cartões corporativos da Presidência. No TSE, André Mendonça decidiu que a abertura dos dados cabe aos próprios candidatos; a campanha de Lula recorreu para que o ministro conduza a execução do acordo.

Infraestrutura e exportação

Flávio Bolsonaro (PL) cobrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre obras paralisadas durante pergunta sobre infraestrutura e exportação. O senador afirmou que o governo Bolsonaro recebeu cerca de 14 mil obras inacabadas e terminou com pouco mais de 8 mil. Ao citar um levantamento do Tribunal de Contas da União, atribuiu ao atual governo mais de 11,5 mil paralisações e chamou o país de “cemitério de obras”.

Lula rebateu a cobrança e afirmou que seu governo promove um volume de investimentos em infraestrutura sem precedentes. O presidente citou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mencionou projetos de ferrovias, rodovias, hidrovias, portos e aeroportos e disse ter herdado 6 mil obras paradas. Também afirmou que empreendimentos de infraestrutura não podem ser concluídos no mesmo ano em que começam.

Na réplica, Flávio Bolsonaro prometeu concluir a Transnordestina e as ferrovias de integração Centro-Oeste e Leste-Oeste, ampliar concessões e garantir pedágio zero para motociclistas em novos contratos. Na tréplica, Lula comparou o adversário a alunos que se preparam para o vestibular e “conseguem decorar, mas não conseguem aprender”. O presidente enumerou projetos de sua gestão e citou a Serra das Araras e o túnel entre Santos e Guarujá.

Na checagem, os números aproximados do TCU citados por Flávio Bolsonaro têm base em levantamentos reais, mas a comparação omite que o universo monitorado caiu de 38,4 mil para 22,5 mil contratos entre 2018 e 2022. É verdadeiro que o Novo PAC foi anunciado com R$ 1,7 trilhão; Lula citou “um trilhão e setecentos milhões”, cifra imprecisa. É falso que a obra da nova Serra das Araras custe quase R$ 12 bilhões, como afirmou o presidente: o investimento informado pelo governo e pela concessionária é de R$ 1,5 bilhão. A diretriz de isenção para motos em novas concessões federais existe desde 2021.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!