Apaga a luz e compra um fuzil. Por Fernando Brito

Jair Bolsonaro com fuzil
Bolsonaro com fuzil

Publicado originalmente no Tijolaço:

Por Fernando Brito

Que Jair Bolsonaro, presidente deste país, seja um imbecil, um desqualificado, um boquirroto, privado da mais basilar capacidade de articular ideias e falar de forma lógica, bem, isso é coisa que a gente já sabe.

Mas que alguém – seja militar, seja político, seja um grande empresário ou financista – seja capaz de se acumpliciar a isso, no grau a que chegamos – é algo pior que estupidez: é cumplicidade com a intenção de mergulhar o Brasil no caos e na violência, num regime que nem nazista seria – pois por mais horrorosos que fossem, os nazistas tinham um corpo, ainda que monstruoso, de ideias.

Estão usando Bolsonaro para ganhar poder e dinheiro e, portanto, agem como bandidos que, beneficiando-se da confusão, saqueiam o que podem e surrupiam o que não podem.

São piores, muito piores do que os idiotizados, os que veneram Bolsonaro por tê-los tirado de suas vidas medíocres e silenciosas para dar-lhes a felicidade de serem estúpidos em grupo.

O que é que o senhor aposentado ou a tiazinha do ZapZap vai fazer com o fuzil 7.62 que o presidente recomendou-lhes comprar?

Isto é, se tiver R$ 13 mil para gastar nisso.

Vai atirar em quem com o fuzil?

Nos soldados chineses que estão acantonados ali na fronteira do Paraguai?

No bebum, pobre coitado, que um dia aparece na rua cantando, como Vicente Celestino, seu estado ébrio?

No netinho, por acidente?

Bem, armado de fuzil, só o que pode fazer fora disso é ir se meter na “muvuca” do Aeroporto de Cabul ou entrar para o Comando Vermelho, o PCC ou a milícia de Rio das Pedras.

Não é mais hora de explicar que isso é um perigo em potencial, para as pessoas e para seu direito à vida.

É hora de chamá-los pelo nome: criminosos.

Pois o que merece como adjetivo um presidente que, diante uma gravíssima crise elétrica, que ameaça transtornar este país já em baderna econômica, pede para você apagar uma lâmpada e comprar um fuzil?

Quem sabe também não arremata um chapéu de chifres, como daquele “búfalo do Capitólio”?

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