Após carta golpista, 11 partidos defendem vitória de Lula e isolam Flávio Bolsonaro

Atualizado em 28 de outubro de 2026 às 21:22
Flávio Bolsonaro
O candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Roberto Casimiro/Fotoarena

Onze partidos da esquerda, do centro e da direita defenderam o resultado das urnas que reelegeu Lula (PT) após a divulgação da carta golpista de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nesta quarta-feira (28). As manifestações ampliaram o isolamento do senador, que também foi contrariado por aliados como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Derrotado no segundo turno, Flávio Bolsonaro divulgou dos Estados Unidos um documento no qual se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e alegou fraude sem apresentar provas. Depois da repercussão, alterou a carta e passou a se definir como “líder do Brasil”, mantendo os ataques ao resultado eleitoral.

O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, afirmou que a eleição transcorreu com lisura e que seu resultado deve ser respeitado. “A democracia é um valor inegociável”, declarou. Segundo o dirigente, esse compromisso não depende de quem vence ou perde, mas do respeito ao veredito das urnas.

O MDB reafirmou sua “total confiança no sistema eleitoral brasileiro” e na legitimidade do resultado de domingo (25). Já o presidente do PSD, Gilberto Kassab, reiterou a nota em que cumprimenta Lula e Geraldo Alckmin pela vitória, deseja um bom governo e defende uma relação republicana com o Executivo federal.

Presidente do PSDB, Aécio Neves classificou a carta como “absolutamente imprópria” e a postura de Flávio Bolsonaro como “inacreditável e inaceitável”. O tucano afirmou que seu partido não apoiou Lula, mas respeita o resultado, e que cabe a quem perdeu fiscalizar o governo e fazer oposição, sem promover desestabilização institucional.

Tarcísio também rejeitou a contestação, embora tenha dito compreender a indignação do aliado. “A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente”, afirmou em nota. O governador defendeu o respeito às urnas e uma oposição forte, que atue dentro das instituições democráticas.

PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT divulgaram uma manifestação conjunta em defesa da soberania nacional e contra interferências estrangeiras. As sete siglas acusaram Flávio Bolsonaro de fugir para não enfrentar a Justiça e rejeitaram sua contestação eleitoral. “O Brasil não é quintal de ninguém, e a vontade soberana do povo brasileiro será respeitada”, afirmaram.

A alegação de fraude encontrou resistência até no PL. Rogério Marinho (RN), que coordenou a campanha presidencial do senador, reconheceu que o partido não tem provas para sustentar a acusação. “O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há prova nesse sentido”, declarou.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!