Após matéria sem provas do “Metrópoles”, defesa de Lulinha pede ao STF acesso a investigação no INSS

Atualizado em 25 de fevereiro de 2026 às 14:53
A blogueira Andreza Matais, que publicou matéria sem fonte sobre filho de Lula nesta quarta-feira (25)

Os advogados de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente da República, irão protocolar nesta quarta-feira (25) um requerimento junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) para ter acesso aos autos da investigação que apura um esquema de fraude e desvio de recursos no INSS (Instituto Nacional de Seguro Social).

A informação é do advogado Guilherme Suguimori Santos, representante jurídico de Fábio Luis. De acordo com ele, a medida se faz necessária em virtude das constantes reportagens que têm sido publicadas pelo site Metrópoles (cujo proprietário é o ex-senador e ex-presidiário Luiz Estevão (PRTB-DF)) – baseadas em “fontes sigilosas” e desacompanhadas de quaisquer provas -, que afirmam ter tido acesso aos autos da investigação (que corre sob sigilo) e apontam que o filho do ex-presidente estaria envolvido nos esquemas de fraude.

Na manhã de hoje (25), a blogueira Andreza Matais, atualmente trabalhando no Metrópóles, após ter sido demitida do portal UOL e do jornal Estado de S. Paulo, postou um texto em que afirma ter ouvido de uma fonte anônima que o filho do ex-presidente será delatado por alguns dos suspeitos que se encontram presos preventivamente, acusados de fazer parte do esquema de fraude no INSS.

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Curiosamente, a única pessoa que falou com a reportagem do Metrópoles sem esconder seu nome, o advogado de um dos delatores citados, negou veementemente que exista qualquer delação sendo preparada que envolva o nome de Fábio Luís Lula da Silva. Tal fato não impediu o jornal do ex-senador sentenciado de publicar a postagem sem fontes ou provas escrita pela blogueira.

Ao DCM, o advogado de Lulinha informa que Andreza Matais não procurou a Defesa do filho do presidente antes de postar em seu blog o que ouviu dizer de sua fonte anônina. Suguimori Santos conta ainda que, após tomar conhecimento da postagem de Matais, por volta das 10h50 desta quarta, enviou extensa nota de esclarecimento ao blog do Metrópoles, que optou por não publicar seu conteúdo (leia a nota na íntegra ao fim desta reportagem).

Conforme explica o advogado de Fábio Luís Lula da Silva:

“Diante da incessante campanha midiática reproduzindo dados parciais e sigilosos de uma investigação em andamento, entendi ser necessário requerer ao STF acesso à investigação, tendo Fábio se colocado à disposição daquele Tribunal para prestar qualquer esclarecimento eventualmente necessário após ter conhecimento do que existe (ou não existe) naqueles autos – acesso esse que ainda não lhe foi concedido, o que impede qualquer outra manifestação atual, uma vez que trabalhamos com fatos e provas, não com o combate contra conjecturas inverificáveis.”

O advogado destaca, ainda, que Andreza Matais – na hipótese de simplesmente não ter simplesmente inventado o que diz ter ouvido de alguém que não se revela – está publicando algo inverificável, o que inviabiliza a correta apuraçãoi e esclarecimento dos fatos, uma vez que a blogueira não fornce informaçãoi alguma sobre a suposta delação (sigilosa) de que teria ouvido falar:

“As negociações de acordos de delação são sigilosas por previsão legal e jurisprudencial, tornando inverificável a sua existência – factóide que foi negado pela defesa de um dos supostos delatores – e a confirmação de seu conteúdo, que foi meramente mencionado sem apresentação de fatos ou detalhes. A publicação desse dado vazio na véspera de sessão da CPMI que notoriamente vem discutindo medidas relativas a Fábio Luís naquele procedimento será fatalmente utilizada para fins políticos antes de sua confirmação, escancarando a irresponsabilidade de setores com interesses específicos e políticos.”

Finalmente, Suguimori Santos afirma que seu cliente não conhece as pessoas citadas pela bloigueira: “Conforme esclarecemos em mensagem ao Metrópoles, Fábio Luís não conhece os indivíduos citados na reportagem e não manteve com eles relação profissional, financeira ou pessoal. Ele não teve nenhuma participação no esquema das fraudes do INSS, não cometeu nenhum crime e não recebeu valores de origem ilegal”.

Leia, abaixo, a íntegra da nota da defesa de Fábio Luís Lula da Silva.

“São Paulo, 25 de fevereiro de 2026.

Recebemos com surpresa a matéria veiculada no Metrópoles afirmando que um ex-procurador e um ex-diretor do INSS teriam fechado acordo de delação premiada delatando “Fábio Luís Lula da Silva e políticos do centrão”. A matéria não informa nenhum dado concreto sobre o que seria delatado e qual a suposta e alegada participação de Fábio, o que impede qualquer esclarecimento além do fato de que Fábio Luís não conhece esses indivíduos e jamais teve com eles qualquer tipo de relação, financeira, pessoal ou profissional. Fábio não tem relação com as fraudes do INSS, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa.

As negociações de acordos de delação são sigilosas por previsão legal e jurisprudencial, tornando inverificável a sua existência – factóide que foi negado pela defesa de um dos supostos delatores – e a confirmação de seu conteúdo, que foi meramente mencionado sem apresentação de fatos ou detalhes. A publicação desse dado vazio na véspera de sessão da CPMI que notoriamente vem discutindo medidas relativas a Fábio Luís naquele procedimento será fatalmente utilizada para fins políticos antes de sua confirmação, escancarando a irresponsabilidade de setores com interesses específicos e políticos.

Lamentamos que mais uma vez o nome de Fábio Luís Lula da Silva esteja sendo utilizado indevidamente com interesses escusos, em mais uma tentativa de atingir indiretamente o governo. Todas as afirmações levianas do passado se comprovaram falsas, o que acontecerá também neste caso.

Finalmente, reitero que diante da incessante campanha midiática reproduzindo dados parciais e sigilosos de uma investigação em andamento, entendi ser necessário requerer ao STF acesso à investigação, tendo Fábio se colocado à disposição daquele Tribunal para prestar qualquer esclarecimento eventualmente necessário após ter conhecimento do que existe (ou não existe) naqueles autos – acesso esse que ainda não lhe foi concedido, o que impede qualquer outra manifestação atual, uma vez que trabalhamos com fatos e provas, não com o combate contra conjecturas inverificáveis.

GUILHERME SUGUIMORI SANTOS
OAB/SP 295.675″