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As almas atormentadas de Natuza Nery e seus colegas da Globo. Por Moisés Mendes

Natuza Nery da GloboNews. Foto: Reprodução

Já se disse, desde Gutenberg, que jornalista se considera um ser especial, porque ataca mas nunca aceita ser atacado. Natuza Nery, comentarista da Globo News, considera-se um ser especial entre os especiais.

Natuza é da direita fofa e, se quisesse, não conseguiria ser bolsonarista, porque a Globo não deixa. Vive o dilema de representar um papel aparentemente progressista, por atacar Bolsonaro e defender bons modos, numa emissora hoje inimiga da extrema direita.

Mas o progressismo de Natuza Nery desaparece em textos como esse que a moça publicou esta semana no Twitter, em defesa da colega Miriam Leitão:

“Este post não é para os críticos. É para os covardes. Você (da direita e da esquerda) que ataca de forma repugnante a @miriamleitao não passa de uma alma sebosa. Você é igual ao que você combate”.

Ninguém vai defender ataques covardes, mas a jornalusta tenta desqualificar os que questionam Miriam Leitão, com o truque da ressalva de que poupa os críticos.

Natuza tentou se igualar, por sebosidade, aos que ela combate. Há na Globo, talvez mais até do que na Folha, um esquema próprio de foro privilegiado.

Esse foro já protegeu Alexandre Garcia, o porta-voz da ditadura que trabalhou durante décadas para os Marinho e apresentou aos sábados, em rodízio, o Jornal Nacional.

Ninguém podia dizer que Garcia era a imagem da ditadura em horário nobre da Globo, porque isso feria a liberdade do sujeito de manter no ar, sem nunca ter se redimido, a fleuma de serviçal dos militares. Era pesada a dívida dos Marinho com Alexandre Garcia e eles o aguentaram até uns três anos atrás.

O foro privilegiado dos jornalistas de direita protege quem se considera inatacável e classifica intervenções críticas dos outros geralmente como inaceitáveis. Criticar jornalista seria atentar contra a imprensa livre.

Com a citação às almas sebosas (a expressão é antiga, mas parece estar na moda), os malandros do jornalismo da Globo se apropriam da linguagem da malandragem da vida real. O jornalismo chique também tenta ser pop, enfia as botas no barro (ou na merda mesmo) e fica assim meio funk.

Jornalista critica todo mundo, Jesus, jogador de futebol, político, artista, professor, sindicalista, Lula, o PT, juízes, feministas, comunistas, mas não absorve bem nada que questione o que faz.

Por isso o ataque raso às almas sebosas. Os jornalistas da Globo são almas atormentadas pela imposição das normas do patrão em relação ao governo Bolsonaro. Eles precisam atacar Bolsonaro sem piedade, porque Bolsonaro é o Coringa dos Marinho.

Mas, se Bolsonaro não fosse o inimigo do patrão, muitos jornalistas da Globo e do Globo seriam bolsonaristas. Muitos na Folha e no Estadão também seriam. Eles têm jeito de bolsonarista, ginga e fala de bolsonarista e só não têm o alvará de bolsonarista.

A Globo não permite que eles sejam o que gostariam de ser. Não seriam bolsonaristas de raiz (porque a raiz deles é tucana) talvez fossem moderados, meio encabulados, na linha dos políticos de “centro” que se elegeram elogiando Bolsonaro e agora se voltam, por oportunismo, contra a criatura. Seriam bolsonaristas pragmáticos.

Mas não há dúvida de que, para ser antiLula, antiPT e antiesquerda, eles fariam qualquer negócio, se a Globo deixasse.

A panca tucana do jornalismo da Globo esconde um desejo reprimido e cheirosamente seboso de ser bolsonarista.

Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/

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Moisés Mendes

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