Atacado por Bolsonaro, o Estadão apoiou o capitão e disse que o Brasil ficaria “pior que a Venezuela” com Haddad

Bolsonaro é filho do Estadão

O Estadão vem sendo atacado sistematicamente por Bolsonaro e sua gangue virtual.

A nova investida veio através de uma fraude espalhada pelo site Terça Livre, uma cloaca bolsonarista comandada por um tal Allan dos Santos.

O presidente compartilhou nas redes, onde vive e trabalha, um relato fraudado.

Ele afirma que a jornalista Constança Rezende, em entrevista, disse “querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o impeachment do presidente Jair Bolsonaro”.

Na gravação, porém, a repórter declara que o caso Queiroz “pode comprometer, pode arruinar Bolsonaro”.

O áudio não coincide com o que Jair escreve e ele sabe disso.

Bolsonaro não pode ver um esgoto que se atira.

Embarcou numa campanha difamatória contra Constança, seu pai Chico Otávio, seu jornal e, por extensão, a imprensa.

Se alimenta desse tipo de expediente, açulando seus cachorros.

Se Constança merece toda solidariedade, o mesmo não pode ser dito sobre o Estadão, que equalizou o capitão a Fernando Haddad como se fossem “dois extremos”.

Na verdade, tratava-se de um deputado desqualificado, autoritário e limítrofe versus um político testado, que como ministro e prefeito de São Paulo nunca agrediu a democracia. 

Haddad, aliás, sempre foi um doce de coco com a velha mídia.

Em 2016, em entrevista à TV Estadão, declarou que achava “um pouco dura” a palavra “golpe” para se referir à fraude escandalosa que terminaria por derrubar Dilma.

Em 13 anos de PT no poder, o Estado de S. Paulo nunca sofreu nada remotamente parecido com censura, recebeu gordas verbas de publicidade — e, no entanto, perpetrou editoriais imortais sobre a “tigrada”, a “matilha” que nos transformaria num gulag.

Descreveu a nomeação de Lula para ministro-chefe da Casa Civil de Dilma como “golpe de Estado”, entrou de cabeça no impeachment, deu uma gigantesca contribuição para o caldo de excremento e ódio que resultou nos Bolsonaros.

Em 7 de outubro, deixou clara sua posição numa peça chamada “Pior do que a Venezuela”.

Alguns trechos:

Aos que têm dúvida a respeito das intenções do candidato Fernando Haddad – se faria um governo mais moderado em comparação às administrações petistas anteriores ou se haveria uma radicalização antidemocrática -, o programa de governo do PT é esclarecedor.

O documento contém todos os pontos nefastos do lulopetismo, além de expor a vocação autoritária de seus praticantes. Dá a impressão de que o partido vê nessa eleição a oportunidade para fazer o que sempre quis fazer, mas que não havia conseguido, ou seja, assenhorear-se do poder e dele não mais se afastar. (…)

É a trajetória que empreendeu Hugo Chávez na Venezuela: sob o pretexto de “ampliar os mecanismos de democracia participativa”, apossou-se do Judiciário e do Legislativo.

O programa do PT diz que “é preciso instituir medidas para estimular a participação e o controle social em todos os Poderes da União e no Ministério Público”.

Bem se sabe qual é o controle social pretendido pelo PT. Nos últimos anos, os petistas se opuseram a um Judiciário livre. Não se conformaram com a possibilidade de que um tribunal pudesse condenar seu grande líder.

Não por outra razão, sonham com um “controle social na administração da Justiça”. Como se sabe, o “controle social” só existe quando o grupelho que prega essa fórmula se investe desse poder.

Não há autocrítica. Além de não ter aprendido a respeitar as instituições, o partido assegura que repetirá erros já cometidos na política comercial e econômica. (…)

O partido de Lula mostra-se também insatisfeito com a liberdade de expressão e de imprensa. “O governo Haddad irá apresentar, nos seis primeiros meses de governo, uma proposta de novo marco regulatório da comunicação social eletrônica”, lê-se no documento. Querem tutelar tudo e todos. (…)

O programa explica como será essa tomada de poder. Não querem moderação – lá está o pior ranço petista, amargurado com o funcionamento livre das instituições.

“Esse é o programa da vitória, do #LulaLivre”, diz Fernando Haddad. Que as urnas deem a devida reprovação ao programa petista, que troça do brasileiro e das instituições democráticas. Há um país a ser respeitado. Há liberdades a serem preservadas.

A vontade do Estadão foi feita e o Estadão está pagando por ela — bem como, claro, o país.

Fernão Mesquita, herdeiro do Estadão, mostra sua lucidez e sua finesse
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