Bolsonaro apelará a atos antidemocracia para cassar Moraes e Barroso. Por Fernando Brito

Bolsonaro – Evaristo Sá/AFP

Sequer uma palavra sobre Roberto Jefferson, novo ataques aos ministros Alexandre de Moraes e Luiz Roberto Barroso. Os quais “extrapolam com atos os limites constitucionais”. É assim a primeira reação pública de Jair Bolsonaro à prisão, ontem, de seu “soldado” espalhafatoso.

Passa por cima das ameaças e pantomimas do “primitivo” Jefferson para fazer as suas própria, claro, “em nome do povo”.

– O povo brasileiro não aceitará passivamente que direitos e garantias fundamentais (art. 5° da CF), como o da liberdade de expressão. Continuem a ser violados e punidos com prisões arbitrárias, justamente por quem deveria defendê-los.

Anuncia que levará ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. “Um pedido para que instaure um processo sobre ambos, de acordo com o art. 52 da Constituição Federal”. Ou seja, o impeachment de ambos, por “crime de responsabilidade”.

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É evidente que o presidente do Senado não abrirá processos de cassação contra os ministros e isso permitirá que Bolsonaro dirija a ele ataques e a fúria de seus manifestantes.

A data de apresentação já está marcada: 7 de Setembro, quando pretende reunir suas falanges do Dia da Independência, no qual a presença de tropas na Esplanada dos Ministérios se tornará outra “trágica coincidência”.

Bolsonaro, cansa-se de dizer aqui, não quer que a crise amaine, ao contrário, e está se lixando que se abram um, dois ou dez inquéritos contra ele.

Bolsonaro

A crise, ele quer escalá-la, porque vê nisso a maneira de sobreviver politicamente a seu próprio e desastroso governo.

Aliás, ele quer o transbordamento da crise para logo, antes que as eleições estejam próximas o suficiente para não serem mais canceladas ou deformadas.

Todas as “bondades” que promete são mentirosas, mas enganam os trouxas que se dedicam a discutir e argumentar como se fossem políticas para valer o que são simples truques eleitoreiros, como naquela anedota que pergunta qual a cor das penas das asas de um burro.

Pacheco, se for mesmo mineiro, deve receber o pedido de impeachment feito por Bolsonaro e anunciar que o colocará a tramitar ao mesmo tempo em que o presidente da Câmara puser em discussão um dos mais de 130 pedidos de impeachment feitos contra o presidente da República.

Pois não ficou famoso o “pau que dá em Chico também dá em Francisco”.

Impeachment, a um ano da eleição, é na urna.

Publicado originalmente no Tijolaço:

Por Fernando Brito