Bolsonaro gera caos para justificar o “contragolpe” do “seu” Exército. Por Jeferson Miola

Bolsonaro e militares
Bolsonaro se diverte com militares do Exército – Foto: Sérgio Lima/AFP

Publicado originalmente no Blog do autor:

Por Jeferson Miola

O Senado é um terreno minado para o governo militar. Ali acontece a CPI da COVID e ali tramitam os processos de indicação do pastor evangélico para o STF, e de recondução do cão-de-guarda miliciano na Procuradoria da República.

A CPI avança o cerco a vigaristas – de civis e militares, políticos, empresários, evangélicos charlatães – que montaram esquemas bilionários de propinas enquanto tornavam o Brasil vice-campeão mundial no macabro certame de morticínio humano.

O STF, em outro lado da Praça dos Poderes, é uma espécie de “espada de Dâmocles” permanente sobre as cabeças do Bolsonaro, da extrema-direita, dos charlatães fundamentalistas, dos generais e das milícias – as reais, as digitais, as legais e as ilegais que sustentam o governo.

Ali na Suprema Corte correm inquéritos criminais que inquietam e tiram o sono desta horda fascista que milicianizou e vandalizou a política e a vida nacional.

Bolsonaro nas mãos do Legislativo e do Judiciário

Como fica lógico e evidente, portanto, interesses estratégicos do governo Bolsonaro estão sendo jogados no Legislativo e no Judiciário.

O lógico e esperável, nesta circunstância, seria Bolsonaro baixar o tom e cessar os ataques ao Supremo e ao Congresso.

O capitão, porém, ao invés de optar pela sensatez política e arrefecer o clima, acirra ainda mais os ânimos, ameaça as instituições, ataca a democracia e aumenta o tom do assobio para a matilha fascista.

Esta opção política que Barbara Tuchman [A Marcha da Insensatez] definiria como uma escolha contraproducente pode significar, na verdade, uma escolha metódica do Bolsonaro para a instalação de um caos conveniente.

Ao governo militar interessa que o Senado reprove Augusto Aras e André Mendonça e convém, também, que o STF asfixie e vitimize os canais fascistas de difamação e de propagação de ódio na internet.

Com isso eles reforçam a “narrativa” de que as instituições não deixam Bolsonaro governar e perseguem ativistas da base do governo.

E ganham, assim, a retórica para convocar e manter perfilada a matilha fascista.

Na infame homenagem ao “herói” Roberto Jefferson, Eduardo Bolsonaro usou este pretexto para dizer à matilha sedenta que “já estamos vivendo a ditadura” das instituições [sic].

O general promovido a “marechal” [sic] Augusto Heleno, do alto de suas ideias caquéticas, e em clara ameaça de intervenção militar, disse que se o artigo 142 existe na Constituição, “pode ser usado”.

O fator Lula

É bastante claro que em condições normais de temperatura e pressão do jogo político; e que, dentro das regras da democracia, a oligarquia dominante não conseguirá impedir a vitória do Lula em outubro de 2022 – que inclusive poderá acontecer no 1º turno da eleição, segundo a maioria dos institutos de pesquisa.

Neste cenário de potencial vitória do Lula, que se combina com a profunda desmoralização e crise de legitimidade do governo militar, Bolsonaro e o partido dos generais não têm nada a perder.

A eles mais interessa o caos, a confusão e o tumulto como recurso de sobrevivência e de afirmação de poder.

Bolsonaro fustiga as instituições de modo deliberado e em coordenação com o comitê central do partido militar.

Com isso, Bolsonaro e os militares geram o caos que “justifica” [sic] o “contragolpe” do “seu” Exército.

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