Campanha de Lula decide pedir cassação de chapa de Flávio por “manipulação algorítmica”

Atualizado em 19 de outubro de 2026 às 21:10
Meta não se meta
Manifestantes participam do ata “Meta, tira a mão da nossa eleição” na Faria Lima, em São Paulo. Foto: Brian Snyder/Reuters

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro (PL), sob a acusação de que a Meta favoreceu a candidatura do senador com “manipulação algorítmica”. Segundo a Folha de S. Paulo, o jurídico prepara uma ação de investigação judicial eleitoral por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.

Os advogados sustentam que sistemas de recomendação, ferramentas de inteligência artificial e mecanismos de análise de anúncios passaram a beneficiar Flávio Bolsonaro e prejudicar Lula. A peça também reúne episódios envolvendo a Meta AI e o Grok, do X, que, segundo a campanha, produziram propaganda para o candidato do PL enquanto recusavam pedidos equivalentes relacionados ao presidente.

Entre os elementos citados estão mensagens internas da Meta. Os diálogos indicam que funcionários sabiam de restrições à conta de anúncios de Lula e de recomendações indevidas de canais e perfis ligados ao adversário. No caso do impulsionamento, a empresa inicialmente apontou uma falha global, mas a reportagem identificou diferenças entre a data e a duração desse problema e o bloqueio enfrentado pelo petista.

Outro episódio envolve o canal “Tropa do Flávio”, que aparecia em buscas pelo “Exército de Lula” no WhatsApp. Segundo a reportagem, funcionários reconheciam que a recomendação não deveria ocorrer. Os diálogos também registravam que o perfil de Flávio Bolsonaro era recomendado no Instagram, enquanto o de Lula não aparecia nem em determinadas buscas pelo nome exato.

Flávio Bolsonaro
O candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Jean Carniel/Reuters

A campanha inclui ainda um levantamento sobre o alcance do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Um dos exemplos compara o mesmo vídeo publicado em duas plataformas: 396,4 mil visualizações no TikTok e 56,1 milhões no Instagram. O jurídico apresenta a diferença como indício a ser investigado de amplificação atípica do conteúdo de um dos principais aliados de Flávio Bolsonaro.

A ação pretende obter informações sobre os algoritmos e acesso às mensagens internas da empresa para aprofundar a apuração. “Uma empresa privada não pode decidir, pela opacidade de seus algoritmos, quem será ouvido e quem será silenciado numa eleição”, afirmou a advogada Maíra Recchia, uma das responsáveis pela peça.

A iniciativa ocorre depois de decisões do ministro Marco Aurélio Bellizze para assegurar tratamento igualitário às candidaturas. Uma nova determinação, expedida no domingo (18), deu 24 horas para a Meta comprovar o cumprimento das exigências, sob pena de elevação da multa diária de R$ 500 mil para R$ 1 milhão.

A Meta nega interferência eleitoral e afirma que os episódios tiveram causas distintas, incluindo problemas que afetaram contas e anunciantes de diferentes países. A empresa diz não oferecer tratamento preferencial a candidatos, partidos ou posições políticas. Sobre a inteligência artificial, informou ter suspendido temporariamente a geração de imagens de candidatos e ampliado as restrições a comandos com seus primeiros nomes e números eleitorais.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!