“Carta de Bolsonaro a Biden dá dicas do conflito que está por vir”, diz editor de jornal americano

Bolsonaro e Biden

Brian Winter, editor-chefe do jornal Americas Quarterly, comentou a carta de Bolsonaro enviada a Biden após a posse.

O presidente diz que está disposto a cuidar de um “desenvolvimento sustentável” e de proteger a Amazônia, pauta prioritária ao presidente americano.

Segundo Winter, a carta “é um gesto conciliador”, mas “contém dicas do conflito que está por vir”.

Ele argumenta que Bolsonaro coloca as cooperações comerciais, científicas e tecnológicas do país a frente das mudanças climáticas.

O editor também argumentou que o negacionismo do governo brasileiro podem atrapalhar a relação.

Leia o texto de Brian Winter na íntegra:

“A carta de Bolsonaro a Biden é um gesto conciliador importante, mas acho que também contém dicas do conflito que está por vir.

A carta de Bolsonaro tenta explicitamente elevar a cooperação comercial, científica e tecnológica acima das mudanças climáticas nas relações Brasil-EUA. Não vai acontecer. Biden deixou claro novamente ontem: clima é uma das 4 prioridades de seu governo.

Na Amazônia: Na carta, Bolsonaro sutilmente faz referências ao Brasil ter uma matriz energética extremamente limpa (isso é verdade) -‘então o mundo nos deu uma folga nos problemas da floresta tropical’ (isso é problemático).

O problema central na relação Biden-Bolsonaro é que o governo brasileiro fundamentalmente não acredita que o desmatamento na Amazônia seja um problema real. Eles pensam que é uma questão de relações públicas, que globalistas e protecionistas (eu sei, eu sei) estão usando isso como porrete contra seu governo conservador

Há anos ouço essa discussão inúmeras vezes, em particular e em público. Enquanto for verdade, não vejo espaço para um progresso genuíno na questão da Amazônia em nível federal. Não importa o que a carta diga.

Ainda – Eu acho que a carta é um esforço importante de Bolsonaro e de alguns de seu governo (quem realmente a escreveu? Não está claro) para chegar, estabelecer um tom melhor após o questionamento de Jair Bolsonaro sobre o resultado da eleição, etc”.

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