Caso Melhem revela ação de assessoria de imprensa para censurar revista Piauí. Por Leandro Fortes

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O jornalista Leandro Fortes escreve sobre o caso Marcius Melhem.

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Melhem e a censura

No país de Bolsonaro, uma denúncia de assédios sexual e moral contra uma celebridade, o humorista ex-global Marcius Melhem, revelou um fato inusitado, mesmo para os padrões do jornalismo brasileiro: a assessoria de imprensa de Melhem protelou respostas solicitadas pela reportagem da revista Piauí para, assim, dar tempo de os advogados dele entrarem com uma bem sucedida ação de censura prévia contra a revista.

Segundo reportagem publicada pela “Folha de S.Paulo”, a Piauí enviou, em 5 de agosto passado, perguntas para produzir uma matéria sobre as denúncias contra Melhem. Passados cinco dias, a assessora contratada pelo humorista, Isabela Abdala, pediu mais prazo, tempo suficiente para a juíza Tula Corrêa de Mello, da 20ª Vara Criminal da Justiça do Rio de Janeiro, acatar o pedido da defesa e determinar “a suspensão, pelo tempo que durarem as investigações, da publicação de matéria na revista Piauí ou seu respectivo site”.

Ou seja, uma jornalista trabalhando para que outro jornalista não só tivesse o trabalho inviabilizado, mas, pior ainda, acabasse formalmente censurado pela Justiça.

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Melhem rebate Piauí

Em nota enviada ao DCM, Marcius Melhem, desmentiu a informação de que teria censurado a ‘Piauí’ por nova reportagem a respeito das acusações de assédio a Dani Calabresa.

Confira a nota na íntegra:

Piauí pede segredo de justiça e mente sobre censura

Não é verdade que meus advogados pediram à Justiça para censurar uma reportagem da Piauí. Meu pedido foi tão somente para que fosse apurado o vazamento de informações sigilosas e para que eu pudesse me defender com as provas que tenho. Não pedi segredo de justiça em nenhum processo. A Piauí, sim, pediu sigilo sobre um processo que movo contra a revista. Eu luto por transparência e verdade e, por mim, este processo não teria segredo algum. Seria aberto a qualquer jornalista. Mas sou obrigado a obedecer a Justiça, inclusive pelo sigilo pedido pela Piauí. Assim que for possível, virei a público mostrar a verdade. Piauí, suponho, não publicará.

O repórter João Batista alegou que fazia uma matéria sobre os “desdobramentos jurídicos” do caso, apesar de não ter publicado uma linha sobre os 6 (seis) processos que abri após as mentiras publicadas. Como a investigação aberta no MP corre sob sigilo judicial, ele sabe que não posso comentar. Mesmo se tivesse acesso às minhas respostas e provas de minha inocência, João Batista não publicaria, pois algumas delas já vieram a público e foram cobertas amplamente pela imprensa – menos pela Piauí.

Meus advogados jamais pediram censura à revista. Pedi tempo para responder porque tinha que consultar a juíza sobre quais fatos eu poderia mencionar em minha defesa, como mensagens trocadas com as supostas vítimas. A Juíza tomou as medidas de preservação do sigilo que julgou necessárias e me manteve proibido de divulgar provas a meu favor. Se a revista se julga censurada por não poder quebrar um segredo de Justiça, por que não me considera também vítima da censura?

O repórter divulgou trechos aos pedaços, como sempre fez em sua parcialidade. Omitiu por qual motivo ele não escreveu uma linha para informar o público da Piauí sobre as provas que deixam claras as mentiras da primeira matéria. Por que a revista Piauí quer vazar um inquérito antes de ter minha defesa lá, ao mesmo tempo em que pede segredo de Justiça no processo que movi contra ela? Afinal, a Piauí é contra ou a favor do sigilo?

Marcius Melhem

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