“Ciro deu de presente essa estrada”: a relação de alvo PF no Ceará com Ciro Gomes

Ciro Gomes e Arialdo Pinho

Arialdo Pinho, secretário do Turismo do Ceará e ex-secretário da Casa Civil de Cid Gomes, foi alvo de mandado de busca e apreensão na manhã de quinta-feira, dia 3.

A operação investiga esquema ilícito de crédito consignado em folha de servidores estaduais.

Um ex-genro de Pinho foi preso, juntamente com um contador e dois empresários.

Foram apreendidos veículos de luxo, obras de arte e dinheiro e contas bancárias foram bloqueadas. O total movimentado pelo bando é de R$ 106 milhões.

De acordo com a PF, Pinho atuava no esquema à época dos fatos, entre 2008 e 2014, no governo de Cid. A principal empresa envolvida movimentou mais de R$ 600 milhões nessas operações.

O genro enriqueceu R$ 40 milhões entre 2009 e 2011.

Segundo a PF, há “indícios de conluio entre agentes públicos estaduais, ex-gestores de instituições financeiras e empresários que atuaram no direcionamento ilícito de operações de crédito consignado em folha dos servidores do governo do Estado do Ceará”.

O “esquema dos consignados” foi denunciado por volta de 2010 e “consiste em grandes prejuízos para servidores públicos do Estado que pagavam juros mais altos em razão do enriquecimento ilícito de servidores envolvidos, empresários e ex-gestores de bancos”.

Arialdo coordenou campanhas de Cid e é um dos sócios do Beach Park, complexo de diversão a 22 quilômetros de Fortaleza.

Até o governo Ciro Gomes (1991-1994), só havia um caminho de terra até lá. O asfalto chegou com Ciro. 

“O Ciro deu de presente essa estrada”, contou Arialdo à Folha de S.Paulo.

Arialdo Pinho e Ciro Gomes

De acordo com o jornal, Ciro criou um sistema de parcerias de publicidade em que os custos eram divididos entre o parque aquático e o estado, que entrava com metade do valor das campanhas realizadas em todo o país.

“Ciro era meu amigo antes de ser prefeito, governador. Conheci o Ciro aqui, como cliente. Ele foi deputado, prefeito, governador. Aí ele foi para os Estados Unidos, eu o visitei lá. Quando ele veio para o Brasil, eu chamei (para trabalhar no parque)”, disse Pinho à Folha.

Os pagamentos a Ciro, declarou, eram feitos “em dinheiro, como o de todos os funcionários”.

Ciro, porém, afirmou que apenas prestava serviços e que “não tinha condições de dar expediente, porque meu negócio é viajar pelo Brasil”.

Patrícia Gomes, mulher dele à época, o desmentiu e garantiu que ele trabalhava de fato no Beach Park e ia para lá todos os dias.

Um trecho da reportagem menciona o caso de um carro usado pelo eterno candidato à presidência:

Ciro afirma que não tem carro. Ele diz usar um Audi A-6, do Beach Park, que está com ele desde os tempos que teria trabalhado oficialmente para o parque.

Um Audi A-6 novo custa hoje pelo menos R$ 110 mil. É um carro de luxo.

Ciro afirma que é amigo do dono do Beach Park e que até hoje presta “uns serviços” para o parque. Ele diz que o empréstimo do carro é a remuneração dos serviços que realiza e que o carro vai ser dele quando os créditos que ele tem no parque completarem o valor do carro.

Arialdo Pinho conta uma história diferente. Segundo ele, o carro era parte da remuneração de Ciro quando ele era diretor estratégico. “Depois ele ficou com o carro. É meu amigo e ficou com o carro.”

Arialdo é o homem-bomba dos Ferreira Gomes.