Com a palavra Mr Lennon

Atualizado em 9 de dezembro de 2012 às 10:49

No aniversário de morte de John nosso tributo ao maior nome da história do rock

"Se alguém pensa que paz e amor são clichês pertencentes apenas aos anos 60, e que deveriam ter sido esquecidos a partir de então, é um problema. A paz é eterna, e o amor também."

John Lennon, o beatle sonhador e ativista, foi assassinado há 32 anos, no dia de hoje – oito de dezembro. Em uma justa homenagem ao ídolo, realizamos uma Entrevista com Celebridades Mortas com ele. 

Mr. Lennon, hoje é o aniversário de sua morte. Estamos todos emocionados com a ocasião, especialmente porque você faleceu muito mais cedo do que deveria…

(interrompe) Na verdade, isso é bem relativo. Acho que devemos contar nossa idade por amigos, não por anos. Contá-la por sorrisos, não por lágrimas.

É isso que você entende pela vida, mr. Lennon?

Entendo que há duas forças básicas que nos motivam: o medo e o amor. Quando estamos assustados, nos alienamos à vida. Quando estamos apaixonados, nos abrimos para tudo o que a vida tem a nos oferecer com paixão, excitação e admissão. Precisamos aprender a amar nós mesmos antes, em toda a nossa glória e imperfeições. Se não nos amamos, não podemos aperfeiçoar nossa habilidade e potencial para amar os outros. Evolução e todas as esperanças para um mundo melhor repousam na visão destemida e franca das pessoas que abraçam a vida. Você pode me chamar de sonhador, mas não sou o único. Espero que um dia você se junte a nós, já que um sonho que você sonha sozinho é apenas um sonho – um sonho que se sonha em sintonia pode ser tornar a realidade.

Entendo.

E o meu legado está aí. É possível que me chamem de egocêntrico. Se ser egocêntrico significa que acredito no que fiz e na minha arte e música, então nesse aspecto você pode me dizer isso. Acredito em tudo o que fiz.

Nós também acreditamos. Se me permite a pergunta, o que o inspirou a realizar tantas composições lindas?

O amor eterno e ilimitado que brilha ao meu redor como um milhão de sóis e me chama ininterruptamente através do universo. Eu acredito em tudo até que seja refutado. Eu acredito em fadas, em mitos, em dragões. Tudo isso existe, mesmo que só em nossas mentes. Quem poderia dizer que sonhos e pesadelos não são tão verdadeiros quanto a vida real?

E em Deus, mr. Lennon?

Eu acredito em Deus, mas não como o único senhor, como o velhinho no céu. Eu acredito que o que chamamos de Deus é algo que existe em todos nós. Eu acredito que Jesus Cristo e Maomé, e Buda, e todo o resto estão certos. As traduções foram as únicas coisas que saíram erradas.

Você sempre foi um ativista pela paz, não é?

É claro. Se alguém pensa que paz e amor são clichês pertencentes apenas aos anos 60, e que deveriam ter sido esquecidos a partir de então, é um problema. A paz é eterna, e o amor também.

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Aos 19 anos, Camila Nogueira estuda Letras na USP. Já aos 10 anos, constatou que seus maiores interesses na vida consistiam em sua família, em cerejas e em Machado de Assis. Em uma etapa posterior, adicionou à sua lista ópera italiana e artistas coreanos.