Como Alcolumbre atuou para sabotar a indicação de Messias no Senado

Atualizado em 29 de abril de 2026 às 20:21
Davi Alcolumbre foi responsável por articular a derrota de Jorge Messias para vaga no STF
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Fotomontagem

A rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi também uma vitória política do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na queda de braço com o Palácio do Planalto. O advogado-geral da União, indicado por Lula para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, foi barrado por 42 votos contrários e 34 favoráveis. Segundo fontes ouvidas pelo Metrópoles e o blog da Natuza Nery, no g1.

A derrota ocorreu depois de Messias vencer uma primeira etapa na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde foi aprovado por 16 votos a 11. No plenário, porém, a indicação precisava de ao menos 41 votos favoráveis e acabou arquivada em votação secreta.

Alcolumbre articulou fortemente contra a aprovação de Messias nas semanas anteriores à votação. O presidente do Senado queria que Lula tivesse indicado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e a escolha pelo chefe da AGU nunca teria sido digerida pelo comando da Casa.

Ao longo do dia da votação, Alcolumbre conversou com interlocutores de diferentes campos políticos e, em ao menos três conversas, afirmou que aquele seria um dia histórico. A rejeição de Messias se tornou a primeira derrota de uma indicação ao STF em 132 anos.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, discute com colegas durante sessão tumultuada no Senado em 2019. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O desgaste entre Alcolumbre e Messias já havia aparecido antes do plenário. Aliados tentaram convencer o presidente do Senado a receber o indicado de Lula depois da sabatina, em um gesto institucional de boa vontade, mas ele recusou o encontro. Alcolumbre atribuiu ao governo o vazamento de uma reunião reservada anterior e viu na divulgação uma tentativa de criar uma “falsa sensação” de apoio a Messias.

Nos bastidores, senadores do Centrão afirmaram que Alcolumbre trabalhou pessoalmente contra o indicado, com conversas e telefonemas durante o dia. Um integrante da base lulista chamou a derrota de “gigantesca” e disse que foi “a maior crise política do governo Lula neste seu terceiro mandato. Uma derrota maiúscula que Davi Alcolumbre impõe a Lula”.

A votação reabriu a disputa pela cadeira de Barroso e fortaleceu a leitura de que Pacheco segue como nome de interesse de Alcolumbre para o STF. Ficou registrado também que pessoas próximas ao presidente do Senado avaliam que a derrota de Messias poderia empurrar Lula para essa solução, embora ministros do governo afirmem que o resultado não garante que o presidente fará a vontade de Alcolumbre.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.