
O site de notícias Metrópoles é o veículo da mídia comercial que está capitaneando a campanha contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), utilizando como subterfúgio o escândalo envolvendo o banco Master (já liquidado), seu ex-proprietário, Daniel Vorcaro, e políticos do campo bolsonarista.
Entre as principais figuras públicas relacionadas ao escândalo está o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). O mandatário, que se encontrou “algumas vezes” com o ex-banqueiro em sua própria residência, ficou sabendo com antecedência e nada fez para impedir a compra, por parte do banco estatal BRB (Banco de Brasília), de mais de R$ 12 bilhões em títulos podres do Master, para o prejuízo dos cofres públicos.
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Ibaneis fez mais: tentou viabilizar a totalidade da compra do Master pelo BRB, no que foi impedido pelas autoridades do governo federal e do Banco Central.
Ainda assim, ignorando dados concretos e um prejuízo multibilionário aos cofres públicos, o Metrópoles e alguns de seus funcionários, como a jornalista Andreza Matais e o colunista Mario Sabino, vêm se esforçando para tirar Ibaneis e outros políticos de direita do foco do escândalo, contruindo reportagens com base em relatos anônimos e sem provas concretas para desviar para ministros do STF a atenção sobre o esquema do Master, do BRB e do governo do DF. O foco, como de hábito, é o PT.
Quem é Luiz Estevão, dono do Metrópoles
O dono do Metrópoles é o ex-senador Luiz Estevão, político filiado ao partido de extrema-direita PRTB, que compôs a chapa eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro nas duas eleições presidenciais disputadas por ele.
Ele é amigo pessoal de Ibaneis. Durante as investigações que sucederam os atos de vandalismo do dia 8 de janeiro de 2023, o telefone celular do governador do DF foi apreendido pela Polícia Federal e o mandatário teve seu sigilo telemático quebrado.
Descobriu-se que Ibaneis e Estevão mantinham conversas regulares, tanto de cunho pessoal como profissional.
Logo após a invasão da sede dos Três Poderes, por exemplo, o dono do Metrópoles enviou mensagens ao amigo, preocupado com ele, que estava sendo investigado por omissão durante os atos de vandalismo.
De fato omisso, Ibaneis contou a Estevão que, logo após ficar sabendo do quebra-quebra promovido pelos bolsonaristas, foi “tirar uma soneca”. O caso foi amplamente noticiado pela imprensa.
Condenado e preso na Papuda por corrupção multimilionária, mas perdoado e solto por Jair Bolsonaro

Amigo de infância e aliado político do ex-presidente Fernando Collor, em 2006, Estevão foi condenado a 31 anos de prisão por crimes cometidos no desvio de verbas na obra do Fórum Trabalhista de São Paulo, da ordem de quase R$ 500 milhões. Ainda levariam mais de nove anos até ele finalmente ser preso.
Em 23 de agosto de 2012, foi assinado um acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU) onde o Grupo OK (pertencente a Estevão) se comprometeu a devolver R$ 468 milhões aos cofres públicos da União, referentes aos desvios da construção do prédio do fórum, nos anos 1990.
Em 2015, nove anos após a condenação em primeira instância, o STF manteve a condenação de Estevão pelos crimes de corrupção ativa, estelionato, peculato, formação de quadrilha e uso de documento falso. A pena caiu para 26 anos porque dois dos crimes, quadrilha e uso de documento falso, prescreveram. Desde então, Estrevão nutre um ódio pelos ministros do STF que nunca fez questão de esconder. Atualmente, dá vazão ao sentimento com a ajuda de seus empregados no Metrópoles.
Menos de um ano depois de ser preso na Papuda, o dono do Metrópoles já entrou com pedido de prisão domiciliar humanitária, alegando problemas de saúde. O Tribunal Regional Federal, porém, negou-lhe o habeas corpus, mantendo-o na prisão.
O desembargador Valdeci dos Santos afirmou: “O contexto fático torna claro o intento do paciente de se eximir do cumprimento das penas privativas de liberdade que lhes foram impostas”. No mesmo ano, a primeira turma do STF negou o 36º recurso de Estevão e determinou que cumprisse pena em prisão, como manda a lei, aumentando assim o rancor do do empresário contra os ministros.
Em 2017, durante uma revista, a Polícia Civil do Distrito Federal encontrou itens proibidos na cela de Luiz Estevão e na cantina do Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo da Papuda, em Brasília. Segundo o Ministério Público do DF (MPDFT), havia uma troca de favores entre Estevão e servidores da penitenciária.
Em 2019, Estevão e os gestores da Papuda à época foram condenados por improbidade administrativa, porque o detento cometeu irregularidades ao reformar, sem autorização oficial, o bloco 5 do Centro de Detenção Provisória (CDP), onde cumpria pena no Complexo Penitenciário da Papuda, para que as instalações do presídio ficassem mais a seu gosto
Em dezembro de 2022, por meio do indulto de Natal decretado pelo então Presidente da República, Jair Bolsonaro, Luiz Estevão, que já tinha mais de 70 manos e há pouco mais de um ano cumpria prisão em regime aberto, foi perdoado de suas condenações e posto em absoluta liberdade.

A vingança contra os ministros do STF
Estevão montou seu portal de notícias em 2016, quando já nutria um desejo de vingança contra aqueles que garantiram que a Justiça fosse feita, colocando-o atrás das grades: os ministros do STF.
O primeiro deles é Dias Tofolli, que, em setembro de 2014, determinou que sua pena de prisão passasse a ser cumprida. O ministro percebeu que Estevão estava apenas tentando fazer com que suas penas prescrevessem, por meio da apresentação de uma série de recursos.
Conforme explicou Tofolli, era “evidente o caráter manifestamente protelatório dos recursos, em busca da prescrição“. Apesar da decisão do ministro, o empresário conseguiu protelar sua ida à cadeia por mais dois anos.
Foi só em 2016 que outro ministro do STF, Edson Fachin, finalmente conseguiu colocar o dono do Metrópoles na prisão. Em fevereiro daquele ano, o ministro determinou a remessa para a Justiça Federal em São Paulo de cópia de petição em que o Ministério Público Federal requereu a prisão imediata do ex-senador.
Aqui, uma ironia: a decisão judicial teve como base o então novo entendimento da Corte máxima, feito sob medida para prender Luiz Inácio Lula da Silva, mas que também recaiu sobre Estevão, o de que réus condenados em segunda instância já poderiam ser presos.