Contratado pelo Estadão, sócio de Vorcaro é acionista do BRB e negociou banco de Edir Macedo

Atualizado em 17 de abril de 2026 às 16:22
Ex-sócio do Master, Maurício Quadrado. Foto: Reprodução

O banqueiro Maurício Quadrado, dono da empresa gestora de fundos contratada pelo jornal “O Estado de S.Paulo” para captar R$ 142,5 milhões para cobrir prejuízo da empresa, é sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e também sócio do BRB, banco estatal de Brasília que foi lesado em mais de R$ 6 bilhões em aquisições de títulos podres do Master. Ele também tentou comprar o banco Digimais, do bispo Edir Macedo, em janeiro do ano passado

Além disso, conforme revela reportagem publicada nesta sexta-feira (17) pelo jornal Metrópoles, quando foi contratado pelo jornal, em 25 de março de 2024, Maurício Quadrado já havia sofrido bloqueio de seus bens em função de investigação da Polícia Federal (PF) que apurava o pagamento de propina a funcionários da Caixa em troca da liberação de empréstimos.

O Estadão utilizou a gestora de investimentos Trustee DTVM – comandada por Quadrado – em operação que captou no mercado R$ 142,5 milhões para salvar os cofres da empresa, que acumula prejuízo de R$ 159 milhões.

Maurício Quadrado e a Trustee são investigados pela PF por lavagem de dinheiro doBanco Master. A gestora também é alvo de investigação sobre um esquema de ocultação de dinheiro oriundo da adulteração de combustíveis, em operações realizadas por membros do PCC.

A própria sede da gestora contratada pelo Estadão já foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal, em inquérito que apura gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e corrupção, em desdobramentos dos inquéritos sobre a quebra do Banco Master — a Compliance Zero — e sobre a máfia dos combustíveis operada pelo crime organizado — a Carbono Oculto. Os documentos apreendidos estão sob custódia da PF.

Como Maurício Quadrado se tornou sócio do BRB e tentou comprar banco de Edir Macedo

Em abril de 2025, Maurício Quadrado utilizou outro fundo de investimentos controlado por ele, o Albali FIM, para comprar ações do BRB no valor de R$ 100 milhões, tornando-se assim sócio do banco. Este é o mesmo fundo utilizado pelo banqueiro para adquirir – em sociedade com Daniel Vorcaro- o hotel de luxo Fasano Itaim.

A aquisição de parte do BRB por seu sócio é uma das informações que Vorcaro utiliza para se defender no processo que sofre pela venda de papéis podres ao banco de Brasília. Seus advogados alegam que, sendo Vorcaro sócio de um acionista do BRB, não teria interesse em vender carteiras de crédito inexistentes ao banco e, assim, prejudicar a instituição.

Já em janeiro do ano passado, o banqueiro contratado pelo Estadão anunciou o interesse de adquirir o banco Digimais, que pertence ao bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus.

Dois meses depois, após análise do passivo que carregava e carrega a instituição financeira do bispo, ele desistiu da compra. A desistência se deu em comum acordo entre as partes e foi comunicada ao Banco Central em 25 de março de 2025.

Com o negócio desfeito, o Digimais passou a operar pressionado, com um passivo de R$ 8 bilhões e um patrimônio líquido de R$ 698,8 milhões. Por cauda disso, Edir Mecedo se viu obrigado a realizar novos aportes com recursos próprios para garantir a solvência do banco, mas continuou operando com um passivo de R$ 590 milhões.

O fato de o banco Digimais estar operando no vermelho e com risco de desenquadramento pelo Banco Central não impediu que o governo de São Paulo fornecesse autorização à instituição para oferecer e operar crédito consignado e serviço de cartão de crédito e débito a todos os policiais militares da ativa do Estado de São Paulo, conforme publicado no Diário Oficial do Estado, no dia 19 de setembro de 2025. O governador Tarcísio de Freitas é filiado ao partido Republicanos, controlado pela Igreja Universal e cujo presidente é Marcos Pereira, bispo da denominação.

Banco com rombo multimilionário de Edir Macedo foi autorizado pelo governo Tarcísio a contratar crédito consignado a policiais militares de São Paulo (crédito: D.O.E.SP)

Depois que o banqueiro contratado pelo Estadão desistiu de comprar o Digimais, quem anunciou ao mercado e ao Banco Central que pretende realizar a aquisição é o Banco BTG, que emprega o filho de Tarcísio, Matheus de Freitas.

No site de defesa do consumidor “Reclame Aqui”, há mais de 20 mil reclamações de servidores e outros aposentados contra o Digimais, a maioria por cobranças indevidas e criação de contratos de empréstimo fraudulentos e sem a anuência dos servidores lesados.

Banco contratado por Tarcísio para ofertar empréstimo a policiais militares tem mais de 20 mil reclamações de consumidores no site “Reclame Aqui” (crédito: reprodução)