Dallagnol simula correção, mas mantém no ar fake news sobre presos que poderão ser soltos pelo STF

Meu amigo Rodrigo Cricket me manda as seguintes verdades:

Após o DCM apontar mais uma fake news de Dallagnol, com claro objetivo de atacar e exercer pressão sobre o STF, ele postou um adendo se corrigindo.

Seria um ato para se louvar, não fosse mais um jogo de cena do justiceiro do MPF.

Assim como as escusas de Moro a Teori Zavaski quando enquadrado pela divulgação ilegal do grampo que impediu a posse de Lula, o mea-culpa de Dallagnol é para enganar trouxas.

Na quinta, 17, o site oficial da Lava Jato divulgou a notícia de que um juiz do Paraná havia concedido “tutela provisória de urgência ao procurador Deltan Dallagnol e determinou à União a suspensão imediata do processo disciplinar aberto pelo CNMP por causa de uma entrevista do coordenador da Lava Jato à CBN.”.

Para lembrar, essa representação tem como autor Dias Toffoli e foi motivada por declarações de Dallagnol como a de que “decisões tomadas pelos ministros Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski passam a mensagem de leniência com a corrupção.”.

Ontem ainda, uma parte do Brasil parou para acompanhar o inicio de um julgamento histórico no Supremo que pode vir a mudar os rumos tortuosos que estamos trilhado.

Trata-se do julgamento de três ADC’s (Ações Diretas de Constitucionalidade) que, simplificando, buscam a reafirmação direito constitucional de garantia a liberdade para todos até o fim do processo, ou seja, após o trânsito em julgado.

Pois bem, essa contextualização é necessária porque em menos de 24 horas dois fatos que parecem distantes demonstram a índole e caráter de Deltan Dallagnol.

Cronologicamente: STF iniciou o julgamento e na abertura da sessão Dias Toffoli destacava, com o objetivo de combater as fake news lançadas sobre o Tribunal e o julgamento das ADC’s, que um estudo elaborado pelo CNJ aponta que 4.895 mandados de prisão foram emitidos a partir da mudança anterior de entendimento que permitiu a prisão precoce de réus (muitos dos quais provaram sua inocência ou obtiveram regime semi-aberto, por exemplo, para o cumprimento de sua pena).

Essa informação foi divulgada pelo Conselho Nacional de Justiça e figurava como chamada principal do site oficial desde o dia 16.

Mais.

Toda a imprensa, desde a especializada até a alinhada com o lavajatismo, divulgou amplamente esses dados.

Ainda ontem, durante o julgamento no STF, um juiz concedia a Deltan a suspensão da representação que lhe move Toffoli por ofensa a ministros da Corte.

Pouco depois, o que faz Deltan Dallagnol?

Publica um tweet divulgando uma entrevista que concedeu, na sua tática de autopromoção, à Istoé, e aproveitou o “gancho” para disparar mais uma vez contra o tribunal.

“Segundo a imprensa tem noticiado, até 190 mil presos poderão ser soltos caso o STF exija um julgamento de terceira ou quarta instância para a prisão.(…)“.

Essa postagem já alcança mais de 4 mil curtidas e 754 compartilhamentos e 1.200 comentários.

Após ser pego na mentira, Deltan ensaiou uma correção, mas a cascata continua lá, ganhando curtidas e compartilhamentos.

Como comparação o desmentido alcança apenas 1.300 curtidas e 265 compartilhamentos e 130 comentários. Não foi erro, não foi engano, foi tática.

Sabemos como Dallagnol se comporta graças ao vazamento de suas conversas pelo Telegram.

Ou bateu um papo com o espelho, trocou umas ideias com Robito ou teve um flerte intelectual com seu supremo predileto.

Todas as opções são possíveis, pois quando se trata de Deltan Dallagnol ainda não descobrimos os seus limites.

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