Delação: Mauro Cid diz que Michelle e Eduardo incitavam Bolsonaro a dar golpe

Atualizado em 10 de novembro de 2023 às 8:21
Jair, Eduardo e Michelle Bolsonaro. Foto: reprodução

O tenente-coronel Mauro Cid, em sua delação premiada, relatou a participação da ex-primeira dama Michelle e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em um grupo de conselheiros radicais que incentivava o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a promover um golpe de Estado e recusar a derrota nas eleições do ano passado. A informação foi divulgada pelo colunista Aguirre Talento, do UOL.

Segundo Cid, esse grupo afirmava que o ex-chefe do Executivo contava com o apoio da população e de atiradores esportivos, conhecidos como CACs (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador), para uma possível tentativa de golpe.

O tenente-coronel ainda declarou aos investigadores que Bolsonaro relutava em desmobilizar os manifestantes golpistas acampados em unidades militares pelo país, pois acreditava que seria encontrado algum indício de fraude nas urnas, o que poderia anular o resultado eleitoral. Cid assegurou à Polícia Federal (PF) que nunca foi encontrada qualquer prova de fraudes.

Mauro Cid era testemunha direta de conversas de Bolsonaro com aliados e detalhou à PF as ações de cada um deles após a derrota nas eleições. Ele havia sido detido em maio, sendo libertado em setembro após assinar o acordo de delação com a PF.

CPI do 8/1: relatora solicita acareação de Mauro Cid e Jair Bolsonaro | Metrópoles
Bolsonaro e Mauro Cid. Foto: reprodução

A defesa de Jair e Michelle Bolsonaro rejeitou veementemente as acusações, classificando-as como “absurdas” e sem respaldo em elementos de prova

“As afirmações feitas por supostas fontes são absurdas e sem qualquer amparo na verdade e, via de efeito, em elementos de prova. Causa, a um só tempo, espécie e preocupação à defesa do ex-presidente Bolsonaro que tais falas surjam nestes termos e contrariem frontalmente as recentíssimas — ditas e reditas —, declarações do subprocurador da República, dr. Carlos Frederico, indicando que as declarações prestadas pelo tenente-coronel Mauro Cid, a título de colaboração premiada, não apontavam qualquer elemento que pudesse implicar o ex-presidente nos fatos em apuração”, afirmou o advogado Paulo Cunha Bueno.

Bueno disse ainda que Bolsonaro ou seus familiares “jamais estiveram conectados a movimentos que projetassem a ruptura institucional do país”. Já Eduardo Bolsonaro afirmou, em nota, que a delação já foi classificada como “fraca, inconsistente e sem elementos de provas” pelo subprocurador Carlos Frederico.

“Querer envolver meu nome nessa narrativa não passa de fantasia, devaneio. Se a oposição queria dar um golpe, pergunta-se, então, por que o ministro da Justiça tudo fez para que as imagens de seu ministério não se tornassem públicas?”, disse.

Participe de nosso canal no WhatsApp, clique neste link
Entre em nosso canal no Telegram, clique neste link