Denúncias de assédio eleitoral disparam no 2º turno e chegam a quase 2 mil

Atualizado em 27 de outubro de 2026 às 22:34
Urna Cabine eleições
Foto: Karime Xavier/Folhapress

O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 946 denúncias de assédio eleitoral entre o primeiro e o segundo turnos, quase metade das 1.937 queixas reunidas no balanço divulgado na segunda-feira (26). Os registros envolvem pressões sobre trabalhadores para influenciar escolhas políticas ou impedir o exercício do voto. A maior parte das denúncias diz respeito à disputa presidencial.

As queixas apresentadas entre as duas votações correspondem a 48,8% do total desse levantamento. Os outros 991 registros representam 51,2%. A divisão retrata o período de recebimento das denúncias, sem discriminar modalidades de assédio nem indicar que todas as suspeitas já foram comprovadas.

A atuação do MPT durante o processo eleitoral resultou em 59 ações civis públicas, 52 liminares e 53 termos de ajuste de conduta. As liminares são decisões provisórias, enquanto os acordos estabelecem compromissos para impedir interferências na escolha dos empregados. São medidas distintas, que podem se referir a um mesmo caso.

MPT
Foto: Arte/DCM

Em Goiás, a Justiça do Trabalho barrou uma iniciativa do empresário Leandro Batista Nóbrega, dono do Frigorífico Goiás, que ofereceu uma viagem a Caldas Novas, com despesas pagas, a mil apoiadores de Lula. Segundo a apuração relatada pelo MPT, a proposta buscava afastá-los da votação. A liminar previu multa de R$ 100 mil por trabalhador encontrado na situação.

Em São Paulo, a Justiça proibiu a prefeitura de coagir servidores a participar de atos políticos. A investigação foi aberta após uma reunião com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), comissionados e dirigentes municipais. A denúncia relatava convocação para um ato de Flávio Bolsonaro (PL), cobrança de fotos para comprovar presença e ameaças de perda de cargo. A multa por descumprimento foi fixada em R$ 50 mil por dia.

Na Bahia, a rede Total Atacado teve de adotar uma escala que garantisse aos funcionários o direito de votar. A medida foi determinada por liminar após denúncias de que trabalhadores de lojas em Salvador e Lauro de Freitas não haviam sido liberados no primeiro turno, conforme a Agência Brasil.

No recorte por estado do balanço do MPT, São Paulo concentrou 350 denúncias, seguido por Minas Gerais, com 212, e Rio de Janeiro, com 169. O órgão manteve equipes de plantão durante a campanha para atuar nos casos urgentes e buscar medidas que preservassem a liberdade de voto dos trabalhadores.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!