Douglas Souza levanta bandeira antibolsonarista e traz novos fãs para o vôlei em Tóquio

Douglas rindo com a própria piada sobre a queda de Bolsonaro

Após Carol Solberg, outro atleta olímpico está fazendo sucesso com críticas ao bolsonarismo em Tóquio: Douglas Souza, da Seleção Brasileira de vôlei.

Campeão olímpico, em 2016, o jogador virou assunto nacional por seus vídeos divertindo-se na quadra e na Vila Olímpica.

No mais popular, aparece com aquele andar típico de passarela de desfile de moda, com passos em que um pé fica à frente do outro, e a cintura não para quieta.

Douglas tem 1,99 metro de altura, 75 quilos, atua como ponteiro e é gay assumido.

Em Tóquio, virou o queridinho da web mostrando os bastidores da competição.

Além do vídeo em que caminha como modelo, já apareceu quase quebrando a cama de papelão da vila olímpica, cantando músicas da Pabllo Vittar e, claro, esnobando o mandatário número 1 do país.

Douglas tem 25 anos, nasceu em Santa Bárbara d’Oeste, interior de São Paulo, e começou no esporte por recomendação médica para tratar uma forte bronquite.

Aos 11 anos, conquistou o campeonato sul-americano infantil.

Nos Jogos Pan-Americanos de Toronto de 2015, ganhou uma medalha de prata e levou ouro um ano depois, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Fora da seleção, atua pelo Taubaté.

Faz sucesso não apenas pela irreverência e delicadeza, mas por suas posições em um esporte que vem sendo relacionado ao conservadorismo: começou com o “17” de Maurício Souza e Wallace na foto tirada após um jogo do Mundial de 2018 e teve seu ápice no discurso antivacina de Fernanda Venturini.

Agora, já há quem evite declarar que “pela seleção de vôlei eu não torço”.

Os fãs de Douglas já admitem torcer pelo atleta.

“Eu fico muito, muito feliz que as pessoas agora estão conseguindo olhar pro nosso time de vôlei, do Brasil, com olhar diferente”, disse Douglas em entrevista ao UOL.

“Para que elas torçam de alguma forma, que seja por mim e tal. Eu sinto sim que eu estou representando todo mundo. O vôlei é um esporte coletivo, se você quiser torcer pelo Douglas você precisa torcer pela seleção em si, pelo time todo, para todo mundo jogar bem. Acho que o vôlei é o esporte mais coletivo do mundo e eu fico feliz que as pessoas estão tendo essa oportunidade de olhar para a gente com outros olhos”.