Escassez e caos: brasileira vivendo na Itália fala ao DCM. Por Donato

Prateleiras vazias em mercados de Bergamo (IT)

Em toda a Itália o clima é de tensão em meio ao surto e escalada de casos de morte pelo coronavírus.

Jogos do campeonato italiano foram suspensos, várias cidades tiveram o carnaval cancelado, escolas e universidades estão fechadas.

A Lombardia, região ao norte cuja capital é Milão, é a mais afetada. Cerca de 50 mil pessoas habitantes de 11 cidades estão isoladas, vigiadas pela polícia. Descumprir o isolamento pode dar cadeia.

Tudo está fechado: bares, baladas, cinemas, museus, igrejas.

A brasileira Jennifer Zampieri mora em Covo, uma das províncias de Bergamo. O local contabiliza uma morte e vários casos confirmados de contágio.

Ela conversou com o DCM.

DCM: Como está a situação?

Jennifer: Desde domingo, em torno das 15:00, quando anunciaram o decreto de fechamento dos estabelecimentos e cancelamento de eventos públicos e privados, o caos se instaurou.

Em questão de horas correram aos supermercados e compraram tudo. Quem, como eu, resolveu fazer compras ontem já encontrou tudo vazio.

Aqui na Itália ninguém toma água da torneira e nos supermercados já não têm água para vender. Rodei vários locais, mercados, empórios, e só encontrei em garrafinhas de meio litro. Foi a única coisa que consegui estocar e não durará por muito tempo. Os outros alimentos não consegui comprar nem a metade do que tinha na minha lista.

Como você e as pessoas daí estão fazendo para evitar o contágio?

Além de tomar as medidas preventivas de higiene que estão sendo aconselhadas pelo ministério da Saúde, evito lugares fechados. Evito sair de casa e só saio se for realmente necessário.

Até porque não temos opções de lugares para ir, está tudo fechado. Cinema, discotecas, academias, bibliotecas, igrejas não fazem missas, escolas, universidades, shopping, fábricas, algumas linhas de transporte público.

Eu trabalho em um bar e acabei de saber que essa semana não abriremos, ficarei em casa. Não sei como farei, pois a cada momento sai um novo decreto de privação e proibição.

Mas apenas uma semana?

Esses decretos permanecem até o dia 1 de março nas zonas amarelas (menos grave) podendo ser prorrogados, mas estão sem previsão de término nas zonas vermelhas onde têm os focos da epidemia. Eu estou em uma zona amarela.

Qual o estado de espírito dos italianos, famosos barulhentos?

Estão bem divididos. Há os que estão achando exageradas essas medidas tomadas pelo governo e preocupados com o efeito disso na econômica, e há os que estão em pânico, saqueando os supermercados e se isolando em casa.

No geral percebo a incerteza no rosto de cada um. Eu mesma estou vivendo essa emoção porque a cada minuto saem notícias de novos casos e novos mortos. Sempre notícias negativas e nenhuma positiva.

Então todos estão ansiosos para saber se até dia 1 as coisas melhoram ou pioram. Percebo que, no modo geral, os italianos procuram confiar nos órgãos competentes para solução e normalização da situação.

Este colunista, conhecedor da cultura italiana, acredita que sem bares nem futebol, o humor italiano irá azedar em 5, 4, 3….

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