Escolha seu lado na guerra. Por Moisés Mendes

Atualizado em 26 de fevereiro de 2022 às 14:38
Escolha seu lado na guerra
Foto: Reprodução

Junte informações e argumentos e, se quiser e puder, vá pulando de lado, de acordo com as novas notícias que chegam sobre a guerra Rússia-Ucrânia. E assim escolha seu lado, se for possível.

Comece pela certeza de que o maior protagonista dessa guerra, amado por boa parte das esquerdas, é um déspota eleito. Mas Putin, o homem que afronta o mundo ocidental, parece ser, mas nem comunista é. Não é uma simplificação, é uma realidade.

Leve em conta os sentimentos e não só o que possa ser racional ou pareça ser muito complexo. Considere que Volodimir Zelenski, o presidente da Ucrânia, é um humorista que chegou ao poder por ser uma celebridade que fazia o povo rir.

Um vídeo famoso desse Zelenski engraçado mostra o sujeito metralhando os congressistas ucranianos, em nome da nova política.

Ele é o Bolsonaro da Ucrânia.

O invadido deveria ter sido protegido pelo mundo ocidental contra o que seria a ameaça de novo avanço da Rússia.

Boris Johnson, o mais medíocre de todos os líderes europeus nos séculos 20 e 21, é um dos chefes dessa turma. Mas Zelenski grita ao mundo que foi abandonado pelo grupo de Boris.

Já Putin também é aliado de outro fascista, o presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, que talvez seja mais do que fascista, talvez seja mesmo um neonazista. Muitos blindados russos entraram na Ucrânia depois de pernoitar na terra do terrível Lukashenko.

No ano passado, as mulheres foram às ruas de Minsk, e os democratas do mundo todo esperaram o dia em que elas derrubariam Lukashenko.

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Seria um modelo mundial de levante liderado por mulheres de todas as idades, mães, filhas, tias, sobrinhas, avós, primas. Não conseguiram e parece que ninguém conseguirá.

E aí então, voltando a Putin, é preciso considerar que o russo é aliado da Venezuela de Nicolás Maduro e sempre que pode protege seu amigo diante das ameaças americanas.

Mas, dias antes de começar a guerra, Putin chamou Bolsonaro para uma conversa sobre, dizem, apenas amenidades. E Bolsonaro é inimigo de Maduro.

E Joe Biden, que fez o mundo acreditar em mudanças em todas as áreas do poder americano, depois de uma eleição traumática contra Trump, tem um filho chamado Hunter Biden, que faz negócios estranhos na Ucrânia.

E Donald Trump, que agrupou a direita americana em torno da extrema direita, é um inimigo de Moscou, certo? Nem tanto. Os Estados Unidos são, mas ele não.

Está provado que Trump se elegeu em 2016 com a ajuda da Rússia, que acionou robôs de milícias de todo tipo para criar confusão, disseminar fake news e atacar Hilary Clinton e a alquebrada democracia americana.

O mesmo Trump que contava com a ajuda de Putin tentou, em 2019, comprar Zelenski. Destravaria um pacote com uma ajuda americana à Ucrânia, se o humorista-presidente investigasse o filho de Biden.

Zelenski, inimigo de Putin, que era amigo de Trump, comprometeu-se, bem faceiro, a fazer o serviço. Receberia 400 milhões de dólares para usar na área militar e enfrentar Putin, o amigo de Trump.

É tudo muito confuso. Não há um resumo pronto e possível que dê alguma coerência aos argumentos e às conexões de um e de outro lado nessa guerra.

Putin, que tem o apoio da China, anda de mãos dadas com Bolsonaro, que odeia a China e Maduro, mas Maduro tem a proteção de Putin.

Biden, o democrata progressista, apoia um fascista ucraniano e odeia Putin, que admira Trump, que já declarou admiração por Putin.

Generais brasileiros, que odeiam o comunismo, foram a Moscou na companhia de Carluxo e viram Bolsonaro colocar flores no mausoléu do soldado desconhecido.

O soldado desconhecido russo é comunista e enfrentou e derrotou os nazistas, que na versão renovada século 21 já enviaram uma deputada europeia ao Brasil para tirar fotos com Bolsonaro, que já foi adorado pela direita judaica.

Vladimir Zelenski, o presidente da Ucrânia, já defendeu ardorosamente o jogador de futebol ucraniano Roman Zozulya, que joga na Espanha e é identificado com grupos nazistas. Zelenski é judeu.

Acima de tudo e de todos, a Otan, a Organização do Tratado Atlântico Norte, que tenta tutelar o mundo e repudia invasões, desde que não sejam de americanos e de europeus em terras alheias onde eles pretendem levar a ‘democracia’.

Dizem agora que os americanos estão de novo preocupados com as vítimas civis e com os direitos humanos nessa guerra.

Os sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki conhecem bem essa conversa. Assim como as populações civis do Afeganistão e do Iraque.

Então, se está complicado escolher um lado, chame o tio do zap, aquele que tudo sabe e tudo resume, e peça informações. Em uma semana, ele saberá tudo da guerra.

Use a capacidade de ‘discernimento’ de quem é bolsonarista, extremista, negacionista, odeia a ciência e até já aplaudiu a discriminação de gays, trans, negros, índios e mulheres.

Se o tio do zap for para um lado, corra para o outro. Mas cuidado, porque do outro lado, do lado contrário ao do tio do zap nesse conflito, pode estar o primo do zap.

No fim, o esforço para se posicionar, com Putin ou com Zelenski, pode ser apenas um vício imposto pelas redes sociais. Todos querem ser estrategistas de internet nessa guerra.

É complicado assumir posição, porque uns e outros, dos dois lados, são todos cínicos em guerra. Sempre foram, mas nunca como agora.

É difícil escolher um lado num conflito em que até Bolsonaro tenta ser protagonista. Mas Bolsonaro sabe que foi a Moscou, mas nem sabe onde fica Moscou.

(Texto originalmente publicado em EXTRA CLASSE)

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