EUA “aumentam tensões e criam pânico” ao impor sanções à Rússia, diz China

Segundo a porta-voz, as ações americanas estão "aumentando o cronograma da guerra"

Atualizado em 23 de fevereiro de 2022 às 16:23
EUA desrespeitam soberania ao impor sanções à Rússia pelo reconhecimento de RPL e RPD, diz China
© AP Photo / Liu Zheng

O Ministério das Relações Exteriores da China acusa os EUA de “aumentar as tensões, criando pânico” ao impor sanções à Rússia depois que Moscou reconheceu as repúblicas populares de Donetsk e Lugansk.

A China acusou os Estados Unidos de criar pânico com a crise na Ucrânia e desrespeitar a soberania de outras nações, depois que Washington impôs sanções a Moscou e prometeu fornecer armas à Ucrânia.

Segundo o South China Morning Post, o Ministério das Relações Exteriores chinês disse que se opõe a qualquer “sanção unilateral ilegal”, depois que vários países as impuseram à Rússia em resposta ao alegado movimento de tropas para as repúblicas populares de Donetsk e Lugansk.

“[O governo chinês] acredita que as sanções nunca são uma maneira fundamental e eficaz de resolver o problema, e a China sempre se opõe a quaisquer sanções unilaterais ilegais”, disse a porta-voz Hua Chunying.

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Segundo a porta-voz, as ações americanas estão “aumentando as tensões, criando pânico e até aumentando o cronograma da guerra“.

Na última segunda-feira (21), o presidente russo Vladimir Putin anunciou o reconhecimento formal de repúblicas populares de Donbass, no leste da Ucrânia, e pediu ao Conselho de Segurança do país a permissão para o envio de militares russos para o exterior. Vários países ocidentais condenaram a medida e impuseram várias sanções à Rússia.

“Este é o início de uma invasão russa da Ucrânia”, disse o presidente dos EUA, Joe Biden, na terça-feira (22). A série de medidas de Washington incluiu sanções de bloqueio total contra duas grandes entidades financeiras russas e sanções contra “elites conectadas ao Kremlin”, segundo o Departamento do Tesouro dos EUA.

A União Europeia, o Reino Unido e o Japão logo seguiram o exemplo, anunciando duras sanções econômicas. Entre eles, a Alemanha suspendeu a aprovação de um importante gasoduto construído em parceria com a Rússia para abastecer o mercado europeu em plena crise energética, o Nord Stream 2.

As sanções dos EUA resolveram o problema?”, indagou Hua. “O mundo mudou para melhor por causa das sanções dos EUA? A questão da Ucrânia será resolvida naturalmente devido às sanções dos EUA contra a Rússia? A segurança da Europa será reforçada?”.

Para a porta-voz chinesa, “sanções unilaterais e ilegais impostas por alguns países, como os Estados Unidos, causaram sérias dificuldades às economias e meios de subsistência”.

A China espera que todas as partes resolvam o problema por meio do diálogo, disse Hua, mas não deixou de acusar os EUA de instigar a “revolução colorida” e interferir em outros países.

“Quando a OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] liderada pelos EUA bombardeou Belgrado, eles respeitaram a soberania e a integridade territorial da Iugoslávia? Quando os EUA acusaram Bagdá com provas forjadas, eles respeitaram a soberania e a integridade territorial do Iraque?”, indagou a porta-voz do MRE chinês.

(Originalmente publicado em SPUTNIK BRASIL)

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