Fernando Meirelles X João Santana

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Meirelles, Marina e o cantor Dinho

 

O publicitário Fernando Meirelles chamou o marqueteiro João Santana de Goebbels. Ou seja: mentiroso.

Goebbels, para quem não lembra, foi o marqueteiro e publicitário do nazismo, para quem uma mentira repetida milhares de vezes vira uma verdade.

Eis aí uma briga interessante.

Ela tem tudo pra revelar de uma vez por todas, para quem ainda não percebeu, o que é e para que serve o marketing político.

Antes, porém, é preciso revelar o publicitário que se esconde por detrás do cineasta Fernando Meirelles.

Como muitos bons cineastas brasileiros, Meirelles começou como publicitário.

Isso é normal, todo mundo tem contas para pagar, o cinema nacional já passou por uma crise atrás da outra mas a publicidade brasileira sempre foi de vento em popa.

E Fernando se deu bem nos dois negócios. Ele tem talento de sobra para ambos.

Lógico que com a vida financeira encaminhada, a produtora crescendo e dando lucro, ele pode se dedicar cada vez mais ao cinema e às séries de TV.

Atualmente ele está produzindo e dirigindo para a TV Globo a série Felizes para Sempre, que está sendo rodada em Brasília.

É por isso que ele está apenas ajudando os marqueteiros de Marina, pois está ocupado com a série da Globo.

Ao mesmo tempo, sua produtora de cinema, TV e publicidade O2 continua produzindo isso tudo.

Meirelles, portanto, continua sendo publicitário mesmo sendo cineasta.

Ora, se ele é publicitário, por que acusaria um colega marqueteiro – que é um diretor de publicitários – de mentiroso?

Só pode ser por propaganda enganosa.

Santana diria mentiras sobre os produtos que vende ou sobre os produtos da concorrência.

No caso da briga deles, seria sobre as críticas de Dilma a Marina.

As críticas da cliente dele seriam todas verdadeiras.

Somos obrigados a acreditar também que a produtora de propagandas de Meirelles só vende produtos perfeitos.

Nada do que produzem tem qualquer intenção de iludir o consumidor.

Os produtos que eles vendem há duas décadas – muitos para crianças – são absolutamente confiáveis e as mensagens publicitárias gravadas por eles não devem conter qualquer dose de ficção.

Talvez as modelos dos anúncios da O2 sequer sejam maquiadas.

A voz das crianças não é dublada.

Os jingles são mais sinceros e verdadeiros do que os conselhos da vovó.

Como você – assim como lorde Wellington – não acredita em nada disso, talvez também não acredite em outras mentiras, sejam elas de qual marqueteiro ou publicitário forem.

Ou de qual candidato forem.

Ao reclamar da mentiras do filme da concorrência, Meirelles está querendo esconder as próprias.

Tanto da sua candidata quanto do seu negócio.

Na mesmo entrevista a Morris Kachani da Folha em que fala mal do seu colega marqueteiro, Meirelles fala mal dos partidos no Brasil.

“No Brasil os partidos não significam nada”.

Ou seja, ele está reclamando só dos produtos que os outros vendem.

Não ele.

Sem querer, o marqueteiro cineasta ou cineasta marqueteiro – um mistério de Tostines – comprova que um dos maiores problemas de partidos e candidatos no Brasil é exatamente o de terem se tornado produtos.

O marketing substituiu a política.

É por isso que ela deixou de ser atraente e o eleitor – como o consumidor – fica cada vez mais desiludido com tanta ilusão.

Não é à toa que até intelectuais como o cineasta estejam entre eles.

O mais inacreditável é que nem eles percebam as ilusões que criam.

Ao invés de xingar os colegas, Fernando Meirelles deveria produzir um documentário sobre o marketing político e suas consequências.

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