Geisel já avisava que Bolsonaro, “mau militar”, queria “dar um golpe” e “voltar à ditadura”. Por Kiko Nogueira

O livro em que Geisel chama Bolsonaro de “mau militar”

O desprezo à democracia está no DNA de Jair Bolsonaro.

Trouxas bem ou mal intencionados — inclusive, ou principalmente, aqueles que votaram em branco ou nulo — imaginaram que ele pudesse se “domesticar”.

Ponha o “mercado” e a mídia nessa conta.

É como esperar que um macaco não atire fezes nos visitantes do zoológico e aprenda a comer de garfo e faca.

Em entrevista de 1993, que virou livro lançado pela FGV, o ditador Ernesto Geisel, penúltimo do regime, avisou que Bolsonaro era “mau militar” e desejava um golpe.

O sujeito era deputado federal e causava asco em oficiais graduados, que o consideravam um “bunda suja”. Para Jarbas Passarinho, ele era “um radical e eu não suporto radicais, inclusive os radicais da direita”.

Todo político que começa a se “exacerbar em sua ambições”, de acordo com Geisel, logo imagina uma revolução pegando carona nas Forças Armadas.

“Neste momento em que estamos aqui conversando, há muitos dizendo: ‘Temos que dar um golpe. Temos que derrubar o presidente! Temos que voltar à ditadura militar!’ E não é só o Bolsonaro, não! Tem muita gente no meio civil que está pensando assim”, diz.

“Presentemente, o que há de militares no Congresso? Não contemos o Bolsonaro, porque o Bolsonaro é um caso completamente fora do normal, inclusive um mau militar”.

Mais: “Quantos vêm falar comigo, me amolar com esse negócio: ‘Quando é que o Exército vai dar o golpe? O senhor tem que agir, é preciso voltar!’ São as vivandeiras!”

Esse termo foi consagrado pelo marechal Humberto Castello Branco.

Em agosto de 1964, Castello denunciou os “que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas, vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias do poder militar”.

O capitão miliciano tenta ser o messias de uma farsa militaresca cantada por um protagonista de 64.

Bolsonaro precisa ser varrido do cargo agora, enquanto está bolindo com a canalha real e a virtual.

Dadas as suas relações com esquemas com milicianos, espera-se que mofe na prisão e leve outros granadeiros consigo.

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