
Alexandre Oltramari assume a comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro em um movimento que expõe uma contradição do núcleo duro do clã Bolsonaro.
Enquanto precisa reconstruir sua imagem após o afastamento do amigo Marcello Lopes, conhecido como Marcelão, em meio ao escândalo do Banco Master, o Zero Um recorre a um jornalista que ganhou notoriedade ao revelar tortura na ditadura militar — fato que o clã Bolsonaro nega.
Oltramari dividirá a coordenação da campanha com Eduardo Fischer, seu sócio, assumindo o comando estratégico da comunicação junto à equipe que enfrenta desafios internos e financeiros.
Nascido em Porto Alegre, RS, em 13 de maio de 1972, Alexandre formou-se jornalista pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul em 1998 e mudou-se ainda no mesmo ano para Brasília, integrando a redação da revista Veja, segundo o portal dos Jornalistas.
Em dezembro de 1998, assinou a primeira confissão pública de um torturador da ditadura, quando o ex-agente Marcelo Paixão de Araújo admitiu ter torturado mais de 30 presos políticos. A reportagem tornou-se referência acadêmica e consta em obras como A Ditadura Encurralada e A Ditadura Envergonhada, de Elio Gaspari.
Oltramari passou por veículos como Folha de S.Paulo e Correio Braziliense, ganhando o prêmio Esso com a reportagem “Estão saqueando os cofres do FAT”, sobre irregularidades no Fundo de Amparo ao Trabalhador.
Coordenou campanhas eleitorais como a do governador Marconi Perillo (GO), Washington Luiz para prefeito de São Luís em 2012 e a pré-campanha de Aécio Neves à presidência em 2013.
Agora, em parceria com Fischer, assume a coordenação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, enfrentando crises internas e externas e buscando recuperar a imagem do senador que nada num mar de lama.
Que diria dessa história de ditadura o pai de Flávio, Jair, preso por tentativa de golpe de Estado?