Justiça condena Edir Macedo e Record a pagar R$ 1,5 milhão por fala homofóbica

Atualizado em 16 de setembro de 2026 às 15:06
Edir Macedo
O bispo Edir Macedo. Foto: Danilo Verpa/Folhapress

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) condenou nesta terça-feira (15) o bispo Edir Macedo e a Record a pagar, juntos, R$ 1,5 milhão por danos morais coletivos em razão de uma declaração classificada como homofóbica exibida pela emissora em um especial de Natal de 2022.

O tribunal manteve o entendimento de que a manifestação ultrapassou os limites da liberdade de expressão e configurou estímulo à intolerância contra a população LGBTQIA+. A decisão ainda pode ser questionada por meio de recursos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A declaração ocorreu na noite de 24 de dezembro de 2022. Durante o programa, Macedo afirmou que “ninguém nasce homossexual, lésbica” ao listar comportamentos que, segundo ele, seriam adquiridos pelas pessoas ao longo da vida. A fala motivou uma ação apresentada dois dias depois por entidades LGBTQIA+ e pelo Ministério Público Federal.

Na primeira instância, Macedo havia sido condenado a pagar R$ 500 mil e a Record, R$ 300 mil. O julgamento dos recursos elevou a indenização do bispo para R$ 1 milhão e a da emissora para R$ 500 mil. Os valores serão destinados ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.

RecordTV
Foto: Divulgação/Record

A ação foi movida pelo Nuances, que é um grupo que luta pela Livre Expressão Sexual, Aliança Nacional LGBTI+, Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas e Ministério Público Federal. A União também havia sido incluída no processo, mas foi absolvida.

A defesa da Record argumentou que a emissora não foi responsável pela declaração e que o programa era transmitido ao vivo, o que impediria antecipar ou editar a fala. Os advogados de Macedo sustentaram que o trecho fazia parte de um sermão religioso sobre acolhimento de pessoas excluídas e não deveria ser analisado isoladamente.

O conteúdo foi retirado do ar depois de determinação judicial. Procurados pela Folha após o julgamento desta terça-feira, Macedo e a Record não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.

Em 16 de setembro o DCM recebeu a seguinte nota da Igreja Universal:

A respeito da matéria publicada neste Diário do Centro do Mundo com o título “Justiça condena Edir Macedo e Record a pagar R$ 1,5 milhão por fala homofóbica”, os advogados do Bispo Edir Macedo confirmam que recorrerão da decisão mediante a interposição de recurso especial e de recurso extraordinário para que seja restabelecida a justiça.
Reforçamos que a Igreja Universal do Reino de Deus — e os seus mais de 7 milhões de fiéis no Brasil —, sendo um dos principais alvos de preconceito no Brasil, é rigorosamente contra qualquer tipo de discriminação, a qualquer pessoa. E é essa que tem sido a base da mensagem amiga do Bispo Edir Macedo ao longo desses quase 50 anos de existência da Universal.
Assistir à íntegra do vídeo em questão — resguardando o seu real contexto, e sem qualquer juízo de valor —, vai evidenciar exatamente isso: que naquela véspera de Natal de 2022, a mensagem do Bispo foi de inclusão e respeito, totalmente fundamentada nas Sagradas Escrituras, como tem sido todos esses anos (o que está amplamente demonstrado nos autos por meio da gravação de todo o conteúdo).
O Bispo Edir Macedo e demais oficiais da Igreja respeitam as pessoas de todas as crenças, raças e orientações sexuais e ensinam que todos devem fazer o mesmo.
Reforçamos que a Universal sempre foi conhecida como um lugar que acolhe a todos, independentemente de seu passado ou presente, pois essa é a base da fé cristã.
Confiamos que a Justiça brasileira revelará onde está a verdade.
Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!