Leite com laranja sobre o verde-oliva. Por Fernando Brito

Reprodução

Originalmente publicado em TIJOLAÇO

Por Fernando Brito

Não posso imaginar que sejam histórias de alto coturno estas do leite condensado e dos bombons das compras palacianas, a maioria delas para as Forças Armadas.

Embora sejam famosas as histórias de Intendência -a área de compras e suprimentos do Exército – e que possa haver no Leite Moça ou nos chocolates e chicletes alguma maracutaia, além de já terem aparecido algumas empresas meio esquisitas nas notas fiscais , é improvável que alguma alta patente militar venha a ser pega com a boca nesta botija.

O problema é que não apenas o Governo Bolsonaro perdeu toda a sua credibilidade e levou junto com ele a das Forças Armadas.

Aliás, o medo do governo, ao mandar tirar “do ar” a página do Portal da Transparência onde os gastos estavam estampados tem o mesmo efeito da supressão da página em que o Ministério Pazuello prescrevia cloroquina para qualquer pessoa, com qualquer sintoma: uma tola confissão de culpa.

Os oficiais do Exército, em lugar de dizerem que isso é “fumaça” de quem “quer atacar o governo”, como fez hoje o General Mourão, poderia ficar numa curta explicação: os gastos de referem à alimentação de mais de 300 mil homens e mulheres em serviço e os itens polêmicos serão objeto de uma sindicância, para apurar sua legitimidade.

Só que não.

Viraram, pelo estado em que se encontram de adesão ao bizarro presidente, chacota nas redes sociais. Já tinham de arrastar as correntes da cloroquina, do caos em Manaus e da falta de vacina que seu general não evitou; agora, estão lambuzados de leite Moça.

Quando abriram mão de serem uma Força de Estado para ser parte de um governo, isso era inevitável.

Bolsonaro agora é o presidente do leite Moça – aliás, ele serviu isso no pão na visita do conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton – e os militares ainda terão de engolir a explicação do filho Eduardo, que disse que eles compraram o leite condensado “por ter virado de certa maneira uma marca do Presidente”.

Pois é, o problema é que os militares brasileiros também ganharam, como o gado bolsonarista, a marca do presidente.

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