Lula busca sucessor de Múcio na Defesa e avalia indicação de uma mulher

Atualizado em 30 de outubro de 2026 às 23:21
Lula conversa com José Múcio Monteiro
Lula conversa com o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro. Foto: Wilton Junior/Estadão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) procura um substituto para José Múcio Monteiro no Ministério da Defesa para seu quarto mandato. O ministro avisou que não poderá continuar no cargo e indicou a secretária-geral da pasta, Cinara Wagner Fredo, mas Lula ainda não decidiu. As informações são do Estadão.

Aliados do presidente defendem a escolha de uma mulher civil para comandar a pasta. Antes de definir o nome, Lula consulta pessoas próximas que participaram da campanha, entre elas o senador Camilo Santana e o governador do Piauí, Rafael Fonteles.

Os ex-ministros da Defesa Jaques Wagner, Nelson Jobim e Celso Amorim buscam o apoio de Santana e Fonteles a um nome alternativo ao de Cinara. Para o grupo, o escolhido deve ter bom trânsito nas Forças Armadas e conhecimento da área de Defesa.

Cinara, indicada por Múcio para sucedê-lo, é formada em Direito, tem mestrado em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas e especializações na Escola Superior de Guerra. Seu nome conta com a simpatia de Bruno Dantas, ex-ministro do Tribunal de Contas da União e atual presidente do Conselho da Avibras.

Cinara Wagner Fredo
Cinara Wagner Fredo, secretária-geral do Ministério da Defesa. Foto: Divulgação

A presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, também é citada para o Ministério da Defesa. No entanto, ela é mais lembrada por petistas como alternativa para uma das vagas do Supremo Tribunal Federal (STF) que Lula deverá preencher no quarto mandato.

O sucessor de Múcio assumirá a pasta em meio a restrições orçamentárias. Nesta semana, o governo cancelou R$ 226,51 milhões em dotações da Defesa e das Forças Armadas e remanejou os recursos para benefícios assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), e para a oferta de medicamentos pelo SUS.

Em junho, Múcio já havia apontado a precariedade da estrutura militar brasileira. “A Defesa brasileira é incompatível com o tamanho e as potencialidades do Brasil”, afirmou o ministro durante um evento em Brasília.

As limitações de recursos afetam programas estratégicos, como o submarino nuclear, cuja entrega foi adiada para 2038. A Marinha informou ao Ministério da Defesa que os cerca de R$ 1,48 bilhão previstos para o projeto na proposta de Orçamento de 2027 são insuficientes para atender às necessidades de seu desenvolvimento conforme planejado.

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