Lula e Alckmin, Alemanha e Estados Unidos. Por Alberto Carlos Almeida

Lula e Alckmin de braços dados
Lula e Alckmin – Foto: Reproduçãolula-alckmin-reproducao.jpg

Por Alberto Carlos Almeida

Ninguém sabe se a chapa Lula e Alckmin será ou não formada. A única coisa que todos sabem é que existem conversas nesta direção e que há dois grupos de torcedores, aqueles que são contra o PT e que por isso torcem para que essa chapa não seja formada e aqueles que desejam ver a consolidação do favoritismo de Lula com a parceria do ex-governador de São Paulo. Independentemente do que venha a acontecer e das posições antagônicas acerca desta possível chapa, cumpre avaliá-la à luz da história recente de dois países.

A Alemanha de Angela Merkel conheceu recentemente um processo de despolarização, por incrível que pareça foi isso mesmo que ocorreu por lá. Várias pesquisas mostram quem os eleitores de direita, da democracia cristã, passaram com o tempo a rejeitar menos o principal partido de esquerda do país, o Partido Social Democrata (SPD). O inverso também aconteceu, ou seja, os eleitores de esquerda passaram a aceitar mais as duas agremiações principais da direita conhecidas pelas siglas CDU e CSU. Isso aconteceu, dentre outros motivos, porque Merkel formou uma inusitada aliança de governo entre o seu partido e os socialdemocratas.

Angela Merkel assumiu o governo alemão em 2005 e desde 2013 o seu partido de direita, o principal do país, governa em aliança com o mais importante partido da esquerda, o SPD. A CDU de Merkel e o SPD sempre foram adversários ferrenhos e a decisão de formarem uma coligação de governo não aconteceu facilmente, muitos foram contrários nos dois partidos, p fato é que eles governaram a Alemanha por aproximadamente metade do período Merkel e isso contribuiu para que o eleitorado dos dois partidos passassem a se ver de maneira mais positiva, é aquela velha história de que o exemplo vem de cima: a elite política mostrou ser possível a convivência pacífica entre esquerda e direita e a sociedade aceitou esta ideia.

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Os Estados Unidos (EUA) são o exemplo inverso. O bipartidarismo daquele país combinado com a mudança recente de maior segregação de escolas, empregos e residências tão bem identificada por Robert Putnam em seu clássico livro Our Kids, acabaram por aumentar a polarização, dezenas de pesquisas mostram que aqueles que se identificam como democratas e republicanos hoje têm visões mais distantes acerca de vários temas do que seus semelhantes tinham há 20 ou 30 anos. Isso tornou mais difícil a obtenção de maiorias para que várias decisões importantes viessem a ser tomadas.

Tão importante quanto este fato, a convivência social se tornou mais complicada, democratas e republicanos passaram a se evitar de maneira inédita na história, enganam-se aqueles que acham que a elite política dos EUA está preocupada com a China, nada disso, hoje a maior preocupação de políticos, jornalistas e intelectuais envolvidos na vida pública é sobre o que fazer para diminuir a polarização.

Sem sabermos qual será o desfecho das negociações entre Lula e Alckmin e o resultado eleitoral de 2022, o que é possível afirmar a partir dos exemplos de Alemanha e EUA é que, na hipótese de os dois formarem uma chapa, eles tenderão a contribuir para despolarizar um pouco a política no Brasil, não se trataria de uma aliança equivalente a dos germânicos, CDU e SPD, dois adversários de longa data, seria algo mais humilde, menor, parafraseando Neil Armstrong, o primeiro homem a caminhar na Lua, um pequeno passo para os dois políticos, mas um grande passo para o Brasil.

Conclusão; aqueles que querem mais polarização devem, portanto, lutar contra a aliança Lula e Alckmin; já os que desejam que a polarização venha a ser diminuída; ou pelos menos querem que isso seja tentado; podem ficar à vontade para torcerem em favor de um acordo entre os dois políticos.

(Texto originalmente publicado no BLOG de Alberto Carlos Almeida)

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