
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentam nesta sexta-feira (23), na TV Globo, no último debate antes do segundo turno, marcado para domingo (25). O encontro tem início às 21h20, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação de César Tralli. O DCM acompanha com checagem de fatos em tempo real.
As anotações de Flávio Bolsonaro para o debate trazem a orientação de “falar para elas” e projetar uma imagem de “estadista”, segundo a Folha de S.Paulo. Tarcísio de Freitas (Republicanos) participou dos treinamentos do senador, enquanto Pablo Marçal ficou fora dessa etapa após críticas à atuação na Band. Lula ensaiou respostas a provocações e a apresentação de propostas com Sidônio Palmeira e a jornalista Olga Curado.
Horas antes do confronto, a campanha de Lula pediu ao Tribunal Superior Eleitoral a cassação da candidatura de Flávio Bolsonaro por suspeita de financiamento eleitoral ilícito relacionado a “Dark Horse”, filme sobre Bolsonaro. A ação pede oito anos de inelegibilidade para o senador e Eduardo Bolsonaro, além do rastreamento de transferências internacionais. A coligação petista sustenta que recursos ligados ao Banco Master podem ter favorecido eleitoralmente o candidato do PL.
O canal de WhatsApp “Exército do Lula” chegou a 10 milhões de seguidores nesta sexta-feira. Administrada pelo deputado André Janones (Rede-MG), a ferramenta recebeu uma decisão favorável de Floriano de Azevedo Marques, do TSE, que bloqueou novas suspensões por ato administrativo de Kassio Nunes Marques. Google e X também informaram que não identificaram irregularidades na mobilização em suas plataformas: o Google não encontrou sinais de tráfego automatizado nos termos examinados, e o X apontou atuação predominantemente de perfis autênticos.
Lula e Flávio Bolsonaro também apresentaram autorizações para abertura de seus sigilos, após o desafio lançado pelo presidente no debate da Band. O senador acrescentou à discussão a cobrança por gastos com cartões corporativos da Presidência. No TSE, André Mendonça decidiu que a abertura dos dados cabe aos próprios candidatos; a campanha de Lula recorreu para que o ministro conduza a execução do acordo.
Primeiro bloco: infraestrutura, renda e desafios regionais
Infraestrutura e exportação
Flávio Bolsonaro (PL) cobrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre obras paralisadas ao discutir infraestrutura e exportação. O senador afirmou que o governo Bolsonaro recebeu cerca de 14 mil obras inacabadas e terminou com pouco mais de 8 mil. Ao citar um levantamento do Tribunal de Contas da União, atribuiu ao atual governo mais de 11,5 mil paralisações e chamou o país de “cemitério de obras”.
Lula rebateu a cobrança e afirmou que seu governo promove um volume de investimentos em infraestrutura sem precedentes. O presidente citou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mencionou projetos de ferrovias, rodovias, hidrovias, portos e aeroportos e disse ter herdado 6 mil obras paradas. Também afirmou que empreendimentos de infraestrutura não podem ser concluídos no mesmo ano em que começam.
Na réplica, Flávio Bolsonaro prometeu concluir a Transnordestina e as ferrovias de integração Centro-Oeste e Leste-Oeste, ampliar concessões e garantir pedágio zero para motociclistas em novos contratos. Na tréplica, Lula comparou o adversário a alunos que se preparam para o vestibular e “conseguem decorar, mas não conseguem aprender”. O presidente enumerou projetos de sua gestão e citou a Serra das Araras e o túnel entre Santos e Guarujá.
Checagem: a comparação sobre obras omite que o universo monitorado pelo TCU caiu de 38,4 mil para 22,5 mil contratos entre 2018 e 2022, enquanto a proporção de paralisações aumentou. O Novo PAC foi anunciado com R$ 1,7 trilhão. Para a nova Serra das Araras, a concessionária informa R$ 1,5 bilhão; a unidade da cifra pronunciada no vídeo não ficou suficientemente nítida para um veredito sobre a fala. Já a diretriz de isenção de pedágio para motocicletas em novas concessões federais existe desde 2021.
Lula compara Flávio Bolsonaro a alunos que decoram para o vestibular, mas não aprendem, e enumera projetos de infraestrutura na tréplica do debate da Globo. pic.twitter.com/UoLonmgmt8
— deok (@lauricadeok) October 24, 2026
Salário mínimo, poder de compra e tarifa zero
Lula cobrou de Flávio Bolsonaro uma resposta sobre quanto valeria o salário mínimo sem a política de valorização adotada pelos governos do PT. O presidente afirmou que o piso seria de R$ 900 sem os aumentos acima da inflação e disse que pretende manter os ganhos reais. Também ressaltou que os reajustes alcançam aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC.
Flávio respondeu que o poder de compra dos trabalhadores foi corroído e atribuiu o endividamento das famílias aos gastos do governo, à inflação e aos juros. O candidato do PL citou uma estimativa de IVA de 28%, reclamou da redução do tamanho das embalagens no supermercado e prometeu reajustar o salário mínimo acima da inflação, sem fazer economia sobre os mais pobres.
A troca teve uma intervenção de César Tralli, que interrompeu Flávio para esclarecer que Lula ainda dispunha de um minuto e 32 segundos de réplica. Ao retomar a palavra, o presidente perguntou se o adversário apoiava a tarifa zero nos ônibus aos fins de semana. Flávio respondeu que era “super a favor” da proposta e, em seguida, voltou às críticas sobre o custo de vida.
Checagem: existe uma política de valorização do mínimo acima da inflação, e o piso nacional de 2026 é de R$ 1.621. Já a cifra hipotética de R$ 900 apresentada por Lula exige uma memória de cálculo para ser confirmada. A fala de Flávio sobre um IVA de 28% a partir de 2027 é enganosa: a CBS entra integralmente em vigor em 2027, enquanto a implantação integral do IBS fica para 2033. Também é impreciso tratar toda dívida bancária como atrelada à taxa básica: o Banco Central explica que a Selic influencia os juros de empréstimos, o que não significa correção automática de todos os contratos pela mesma taxa.
Lula pergunta se Flávio Bolsonaro apoia tarifa zero nos ônibus nos fins de semana. O candidato do PL responde que é “super a favor” e diz que o trabalhador merece transporte gratuito no lazer. pic.twitter.com/wx62Hrjurl
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Agro, crédito rural e exportações
Flávio Bolsonaro acusou Lula de tratar o agronegócio com hostilidade e afirmou que os produtores do Centro-Oeste enfrentam crédito caro e dificuldades para financiar sementes, máquinas e animais. O senador perguntou por que o presidente chamava integrantes do setor de fascistas e disse que os recursos anunciados pelo governo não resolvem os obstáculos enfrentados por quem produz.
Lula rebateu a acusação e desafiou o adversário a comparar os investimentos no agronegócio e na agricultura familiar com os do governo Bolsonaro. O presidente citou a abertura de 700 mercados para produtos brasileiros, defendeu a diversificação das exportações e afirmou que buscaria outros compradores caso os Estados Unidos deixassem de comprar do Brasil. Também acusou Flávio Bolsonaro de apoiar Donald Trump contra os interesses brasileiros.
Flávio Bolsonaro reclamou de ser tratado como “jovem”, apresentou seu currículo e prometeu impedir o contingenciamento do seguro rural, reajustar aposentadorias rurais acima da inflação e simplificar o acesso aos benefícios. Lula respondeu que o crédito agrícola oferecido por bancos públicos tem juros subsidiados e não acompanha automaticamente a Selic. O presidente também retomou a defesa de seus programas sociais e do combate à fome.
Checagem: a marca de 700 aberturas de mercados desde 2023 é confirmada pelo Ministério da Agricultura: são autorizações para produtos, não 700 países. A afirmação genérica de Flávio Bolsonaro sobre juros reais próximos de 20% não descreve as linhas controladas do Plano Safra: o BNDES informa taxas nominais de 8% a 12,5% ao ano para produtores empresariais e de 0,5% a 7,5% para a agricultura familiar. Já os R$ 525,1 bilhões do plano empresarial são crédito programado, o que não equivale ao montante já desembolsado.
Flávio Bolsonaro acusa Lula de prejudicar o agro. O presidente rebate, compara financiamentos e cita a abertura de 700 mercados para produtos brasileiros. pic.twitter.com/8HFVvQ9NoD
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Aposentadorias, Milei e reconstrução do Sul
Lula cobrou de Flávio Bolsonaro um compromisso com reajustes acima da inflação para o salário mínimo e as aposentadorias. Ao formular a pergunta sobre a Região Sul, o petista relacionou a proposta de “tesouraço” do adversário à política econômica de Javier Milei e afirmou que a pobreza argentina havia chegado a 40%.
Flávio respondeu que daria aumento real ao mínimo e às aposentadorias e negou que pretenda privatizar o Banco do Brasil, a Caixa e a Petrobras. Em seguida, defendeu Milei, atribuiu a crise argentina à esquerda e afirmou que o presidente argentino começou o governo com inflação de 211%. Também acusou Lula de deixar o Brasil com as contas desequilibradas.
Lula voltou a cobrar uma resposta sobre aposentados, pensionistas, trabalhadores rurais e beneficiários do BPC. Flávio repetiu a promessa de reajuste acima da inflação e passou à reconstrução do Rio Grande do Sul: acusou o governo de entregar menos de 30% do que prometeu após as enchentes de 2024 e prometeu investir em bombas e comportas. Citou ainda o combate ao tráfico no Paraná e obras rodoviárias em Santa Catarina.
Checagem: os 211,4% de inflação argentina correspondem ao ano inteiro de 2023, incluindo dezembro, quando Milei tomou posse; a taxa acumulada em 12 meses até novembro era de 160,9%. A referência a 20 anos de esquerda omite que o período de 2003 a 2023 incluiu o governo de Mauricio Macri, de 2015 a 2019. A pobreza de fato ultrapassou 40%: chegou a 52,9% no primeiro semestre de 2024; o dado mais recente é de 32,3%, no primeiro semestre de 2026, em 31 aglomerados urbanos. O percentual sobre as entregas no Rio Grande do Sul não veio acompanhado de uma lista de obras ou critério de cálculo e não pôde ser confirmado.
Lula cobra uma resposta de Flávio Bolsonaro sobre reajustes para aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC. O candidato promete: “Eu vou reajustar as aposentadorias acima da inflação”. pic.twitter.com/wHuUaUatJf
— deok (@lauricadeok) October 24, 2026
Saneamento e Amazônia
Flávio Bolsonaro defendeu o marco legal do saneamento aprovado em 2020 e cobrou Lula pelo voto contrário do PT. O senador perguntou por que o partido seria contra levar água e esgoto tratados aos mais pobres e prometeu ampliar os serviços em Belém. Na réplica, afirmou que a meta de universalização, antes prevista para 2033, teria sido adiada para depois de 2050 pelo atual governo.
Lula contestou o conhecimento do adversário sobre a Região Norte e citou investimentos de governos petistas em internet, saúde, portos, aeroportos e estradas. Também retomou a imitação de uma pessoa com falta de ar feita por Jair Bolsonaro durante a pandemia. Ao cobrar que Flávio Bolsonaro estudasse e conhecesse a realidade local, disse que era importante ir ao Amazonas e ser picado por um carapanã para entender a região.
Flávio Bolsonaro prometeu asfaltar trechos da Transamazônica, ampliar atividades na Zona Franca de Manaus e estimular investimentos em centros de dados e fertilizantes. Também defendeu autonomia para os povos indígenas decidirem sobre suas terras. Na tréplica, Lula criticou a política ambiental do governo Bolsonaro, afirmou que a floresta em pé pode gerar mais riqueza do que o desmatamento e destacou a retomada do Fundo Amazônia.
Checagem: é verdadeiro que os seis senadores do PT votaram contra o projeto do marco em 2020, mas esse registro comprova oposição ao texto, não à oferta de água à população. A afirmação de que a meta “já foi para depois de 2050” não corresponde ao prazo previsto na legislação: o artigo 11-B da Lei 11.445, com redação de 2020, mantém para 2033 as metas de 99% de acesso à água potável e 90% à coleta e ao tratamento de esgoto. A lei permite, sob condições, prorrogação até 1º de janeiro de 2040. Uma eventual projeção de atraso na execução dos serviços não altera esses prazos legais.
Lula cobra que Flávio Bolsonaro conheça a realidade da Amazônia e diz que é preciso estudar e ir ao Amazonas, até levar picada de carapanã, para entender a região. Veja a resposta. pic.twitter.com/7zqO8LD8Jn
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Nordeste, obras e segurança pública
Lula cobrou de Flávio Bolsonaro propostas para o Nordeste e defendeu o legado dos governos petistas na região. O presidente citou a transposição do Rio São Francisco, a Transnordestina, universidades, institutos federais e investimentos industriais. Também mencionou a instalação de um campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica no Ceará e perguntou o que o adversário faria pelos nordestinos.
Flávio respondeu que seria o “carioca mais nordestino” e acusou Lula e governadores aliados de permitir a expansão do Comando Vermelho na região. O senador também retomou o vídeo em que Jair Bolsonaro imita uma pessoa com falta de ar: afirmou que o pai criticava a orientação de esperar o agravamento dos sintomas antes de procurar um hospital e negou que estivesse debochando das vítimas.
Na réplica, Lula enumerou investimentos em indústria, hospitais e educação, desafiou o adversário a apresentar uma obra do governo Bolsonaro e afirmou que o Nordeste merece respeito e igualdade de condições com as demais regiões. Flávio reivindicou para o pai a conclusão da transposição e a ampliação do benefício mínimo para R$ 600. Também prometeu reajustar o Bolsa Família, manter temporariamente o pagamento para quem conseguir emprego e construir uma ferrovia ligando as capitais nordestinas.
Checagem: a transposição começou em 2007, no governo Lula. O próprio Ministério do Desenvolvimento Regional registrou em 2022 que a Paraíba já recebia água pelo Eixo Leste desde 2017, antes do governo Bolsonaro, embora o Eixo Norte tenha recebido novas entregas em sua gestão. É enganoso atribuir exclusivamente a ele a chegada da água ao Nordeste. Lula também exagerou ao chamá-la de maior obra hídrica em funcionamento no mundo: o ministério a classifica como a maior do Brasil, enquanto a China mantém em operação um projeto de transferência de água descrito como o maior do gênero no mundo. O benefício de R$ 600 foi pago em 2022, mas o complemento que elevou o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 tinha vigência até dezembro daquele ano.
Lula desafia Flávio Bolsonaro a citar uma obra do governo do pai no Nordeste e cobra respeito à região: “Nós merecemos respeito”. Veja a resposta do presidente. pic.twitter.com/gjCLpKZDi8
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Segundo bloco: políticas sociais, dívida pública e SUS
Licença-maternidade e Bolsa Família
Lula retomou a cobrança sobre o voto de Flávio Bolsonaro contra a ampliação da licença-maternidade e perguntou por que ele havia sido o único deputado estadual do Rio de Janeiro a rejeitar a proposta. O presidente escolheu o tema políticas sociais e lembrou que já havia feito a pergunta no confronto anterior.
Flávio reconheceu o erro. Disse que, na época, acreditava que uma licença maior poderia dificultar a contratação de mulheres e afirmou que hoje votaria de outra maneira. O candidato citou a esposa e as duas filhas e defendeu que as mães possam permanecer perto dos filhos por 180 dias ou mais. “Eu estava errado”, declarou.
Lula contestou a mudança de posição e afirmou que o adversário não apoiou a medida quando teve a oportunidade de votar. O presidente relacionou a resposta à disputa pelo eleitorado feminino e também cobrou uma explicação para o uso da expressão “Bolsa Farelo” em referência ao Bolsa Família, que classificou como desrespeito aos mais pobres.
Checagem: a cobrança sobre o voto é verdadeira. Um comunicado da Diretoria de Comunicação Social da Alerj, de 14 de abril de 2009, registra a aprovação por 54 votos a um e identifica Flávio como o único contrário. A proposta tratava de servidoras públicas civis estaduais, e a Emenda Constitucional 41/2009 ampliou a licença para 180 dias. Portanto, a alegação de risco à contratação privada não descreve o alcance daquela votação. A admissão de erro está registrada no vídeo; não foi localizado nesta apuração o registro original da expressão “Bolsa Farelo”.
Lula cobra o voto de Flávio Bolsonaro contra ampliar a licença-maternidade. O candidato admite: “Eu estava errado” e diz que hoje votaria de outra forma. Veja a pergunta e a resposta. pic.twitter.com/L20mm4GIy3
— deok (@lauricadeok) October 24, 2026
Lula reage à ofensa sobre o dedo e Flávio pede desculpas
Lula usou o tempo restante para reagir à referência de Flávio Bolsonaro a seus “nove dedos”. O presidente lembrou que perdeu parte do dedo em um acidente de trabalho e relacionou o episódio às condições enfrentadas pelos trabalhadores. “Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”, afirmou, enquanto César Tralli pedia silêncio à plateia.
O presidente disse que o adversário não conhece a realidade de quem tem carteira assinada, questionou sua trajetória profissional e cobrou um pedido de desculpas. Lula afirmou que milhões de trabalhadores assistiam à troca e que não aceitaria ser tratado daquela maneira por alguém que, em sua avaliação, desconhece o trabalho nas fábricas.
Flávio pediu desculpas e disse que não pretendia ofender Lula. Em seguida, voltou às críticas às políticas sociais: citou o aumento dos registros de pessoas em situação de rua, atacou o reajuste do Bolsa Família e atribuiu ao governo a piora da violência contra mulheres e do endividamento. Também elogiou a atuação de Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes e Guilherme Derrite na região conhecida como Cracolândia.
Checagem: a perda do dedo de Lula em um acidente industrial é confirmada por registro biográfico do Senado. Sobre o Bolsa Família, o MDS informa que o piso passou de R$ 600 para R$ 691 em outubro: são R$ 91 mensais, aproximadamente R$ 3 por dia, sem equivaler ao benefício total. Já a comparação de duplicação dos registros de pessoas em situação de rua não pôde ser confirmada com extrações equivalentes da base de 2022 e de 2026. O cadastro administrativo também não equivale a um censo de toda a população em situação de rua.
Lula reage à referência de Flávio Bolsonaro a seus “nove dedos”, lembra o acidente de trabalho e cobra respeito. O candidato do PL pede desculpas. pic.twitter.com/BQdffmGEc7
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Dívida pública, juros e renegociação de débitos
Flávio Bolsonaro escolheu o tema dívida pública e acusou Lula de ampliar gastos e impostos. O senador citou uma dívida de R$ 11 trilhões e juros em torno de 14%, antes de perguntar por que as famílias brasileiras estavam endividadas. O presidente devolveu a pergunta e cobrou do adversário uma explicação para a aprovação da autonomia do Banco Central.
Flávio defendeu a medida como um legado de Jair Bolsonaro e afirmou que a taxa de juros seria menor se o pai tivesse sido reeleito. Também alegou que a queda dos juros futuros após o primeiro turno já teria aberto mais de R$ 200 bilhões no Orçamento. Prometeu usar recursos para comprar e refinanciar dívidas pela Caixa, com suspensão de pagamentos por seis meses para pessoas físicas e um ano para empresas.
Lula acusou o adversário de copiar uma proposta de renegociação de dívidas que, segundo ele, já havia encaminhado ao Senado. O presidente citou a compra de débitos com descontos e defendeu o crescimento econômico, a expansão do crédito e a geração de empregos como meios de reduzir a dívida em relação ao PIB. Também criticou propostas de “tesouraço” e afirmou que a riqueza produzida precisa chegar à população mais pobre.
Checagem: os R$ 11 trilhões citados por Flávio são uma aproximação válida: o Banco Central registrou dívida bruta de R$ 11,1 trilhões em agosto. A Selic de 13,75% também é compatível com “em torno de 14%”. É enganoso, porém, dizer que uma queda nos juros futuros já liberou R$ 200 bilhões no Orçamento: projeções de mercado não equivalem a um corte efetivo da Selic nem alteram automaticamente as despesas autorizadas. O próprio BC estima que um ponto percentual a menos na Selic, mantido por 12 meses, reduza a dívida bruta em R$ 65,8 bilhões. A previsão de juros de 7% condicionada à reeleição de Bolsonaro não foi acompanhada de fonte verificável.
Flávio Bolsonaro escolheu o tema dívida pública e acusou Lula de ampliar gastos e impostos. O senador citou uma dívida de R$ 11 trilhões e juros em torno de 14%, antes de perguntar por que as famílias brasileiras estavam endividadas. O presidente devolveu a pergunta e cobrou do… pic.twitter.com/vHD6RrV2XO
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SUS, pandemia e financiamento das Santas Casas
Lula cobrou de Flávio Bolsonaro uma explicação sobre a posição de Claudio Lottenberg, anunciado pelo senador para comandar o Ministério da Saúde. O presidente afirmou que o médico rejeitava colocar dinheiro no SUS e perguntou como o adversário pretendia melhorar o atendimento com a proposta de “tesouraço”. Também criticou a atuação do governo Jair Bolsonaro na pandemia.
Flávio respondeu que cortaria corrupção, burocracia e impostos, e afirmou que os recursos da saúde são mal aplicados. O candidato citou filas para consultas e atendimento de crianças que precisam de especialistas, classificou o SUS como um orgulho nacional e questionou Lula por ter votado contra a Constituição de 1988, que instituiu o sistema.
Lula retomou a defesa dos profissionais do SUS e acusou o governo Bolsonaro de ignorar orientações científicas, antes de perguntar se o adversário pretendia privatizar o sistema ou cobrar pelo atendimento. Flávio negou que faltariam investimentos, lembrou que o pai recebeu atendimento na Santa Casa de Juiz de Fora após a facada de 2018 e prometeu ampliar serviços oncológicos, refinanciar dívidas das Santas Casas e atualizar a tabela do SUS. Também acusou Lula de não ter ajudado a reduzir as dívidas das instituições nem reajustado os valores pagos pelos procedimentos.
Checagem: o voto do PT contra a redação final da Constituição é confirmado pelo Senado, mas não demonstra oposição específica ao SUS: Lula apontava limites sociais e econômicos do texto e anunciou que o partido o assinaria. Um registro de Lottenberg na Fundação FHC, de 2019, condiciona recursos adicionais à melhoria da gestão; isso é diferente de defender orçamento zero. Sobre as Santas Casas, a entidade que representa o setor registra a inclusão da reestruturação de dívidas na linha do FGTS sancionada em agosto; isso documenta uma medida de apoio, sem comprovar a resolução de cada dívida. Também há reajustes registrados para procedimentos oncológicos, o que contradiz a alegação genérica de ausência de atualização, sem significar que toda a defasagem da tabela tenha sido resolvida.
Lula cobra Flávio Bolsonaro sobre o financiamento do SUS e a posição de Claudio Lottenberg, escolhido pelo senador para a Saúde. O candidato responde com críticas à gestão e questiona o voto de Lula na Constituição de 1988. pic.twitter.com/JzPRSpTv3P
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Terceiro bloco: endividamento, ensino integral e segurança
Endividamento, Desenrola e crédito para as famílias
Flávio Bolsonaro escolheu o tema endividamento dos brasileiros e cobrou Lula sobre o preço dos alimentos. O senador retomou a promessa de picanha, acusou o presidente de ter entregado abóbora e perguntou se ele considerava a comida barata para as famílias endividadas. Lula respondeu que a situação exige medidas de renegociação e defendeu as diferentes iniciativas do Desenrola.
Flávio classificou os programas como “enrolação”, afirmou que mais de 80 milhões de brasileiros têm contas atrasadas e atribuiu o quadro aos juros e aos gastos do governo. Também criticou financiamentos habitacionais da Caixa e prometeu transformar o banco em um instrumento de crédito e formalização de pequenos negócios nas periferias, com o nome de “banco da prosperidade”.
Lula rebateu citando pessoas atendidas pelo Desenrola e afirmou que preparava uma nova rodada de compra e renegociação de dívidas. O presidente defendeu estímulos ao empreendedorismo e disse que os devedores precisam recuperar condições de trabalhar e consumir. Também defendeu acabar com as bets, que associou à perda de dinheiro destinado a alimentos e ao cuidado das crianças, e afirmou que enfrentaria resistência para adotar a medida.
Checagem: a referência de Flávio a mais de 80 milhões de inadimplentes tem base: a Serasa registra 83,9 milhões de consumidores negativados no balanço de agosto disponível em seu portal. Esse indicador não demonstra que toda a inadimplência tenha sido causada por um único governo. Também há resultados documentados do Desenrola: o Relatório de Cidadania Financeira de 2025, do Banco Central, registra mais de 15 milhões de pessoas beneficiadas e R$ 53 bilhões em dívidas renegociadas. Portanto, a crítica política de “enrolação” não equivale à inexistência de atendimento. Os resultados do programa encerrado em maio de 2024 não comprovam antecipadamente as metas de uma nova rodada anunciada por Lula.
Lula defende acabar com as bets e afirma que o dinheiro das famílias deve servir para cuidar das crianças. O presidente associa as apostas ao endividamento e diz que enfrentará resistência. pic.twitter.com/4tzLWQpPvM
— deok (@lauricadeok) October 24, 2026
Ensino integral, creches e apostas
Lula perguntou a Flávio Bolsonaro o que ele faria para ampliar as escolas de ensino integral. Antes da pergunta, o presidente e César Tralli discutiram a abrangência do tema: o petista queria tratar de educação, enquanto o mediador lembrou que a opção escolhida no telão era ensino integral. Flávio respondeu acusando o governo de zerar o orçamento federal da área e passou a responsabilizar Lula pela expansão dos cassinos on-line.
Lula devolveu a acusação sobre o “Tigrinho” ao governo Jair Bolsonaro e cobrou que o adversário apresentasse propostas para o ensino integral. Depois de uma intervenção de Tralli sobre o uso do tempo, o presidente defendeu os investimentos dos governos petistas em universidades, institutos federais e escolas e prometeu universalizar o tempo integral até o ensino médio no próximo mandato.
Flávio prometeu um auxílio-creche para famílias que não conseguirem vagas na rede pública e afirmou que pretende ampliar o ensino técnico no contraturno, com formação em tecnologia e inteligência artificial. Também reivindicou para o governo Bolsonaro o reajuste de 33% do piso dos professores e disse que investiria em matemática e português.
Checagem: não foi possível confirmar a alegação de orçamento federal zerado sem identificar a rubrica e o recorte citados. A Emenda Constitucional 135/2024 determina que, desde 2026, pelo menos 4% dos recursos do Fundeb sejam destinados à criação de matrículas em tempo integral; a mudança no financiamento não equivale, por si só, ao fim da política. Também é preciso separar a autoria do jogo da legislação brasileira: o Fortune Tiger foi desenvolvido pela PG Soft, enquanto a Fazenda registra a legalização das apostas esportivas em 2018 e a inclusão dos jogos on-line na lei de 2023. Atribuir a criação do jogo a Lula ou a Bolsonaro não descreve essa cronologia.
Lula pergunta o que Flávio Bolsonaro fará pelo ensino integral. O senador acusa o governo de zerar recursos e desvia para o “Tigrinho”; o presidente rebate e cobra propostas para a educação. pic.twitter.com/nN53hAar2t
— deok (@lauricadeok) October 24, 2026
Retomada de territórios e o caso Ana Clara
Flávio Bolsonaro cobrou Lula sobre a redução da maioridade penal e a classificação do PCC, do Comando Vermelho e das milícias como organizações terroristas. O candidato prometeu endurecer penas para roubo de celular e crimes sexuais e afirmou que chefes de facções poderiam receber condenações de até 80 anos, com cumprimento integral.
Lula respondeu citando Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara, que estava na plateia, e questionou a atuação de Flávio na defesa do policial acusado pela morte da menina de cinco anos. Ao se dirigir à mãe, o senador a chamou de “Ana Clara”, prestou solidariedade e descreveu o episódio como uma “tragédia” ocorrida em uma troca de tiros. Também afirmou confiar que o disparo não partiu do policial que defende.
Na tréplica, Lula acusou o adversário de manter proximidade com milicianos e criticou homenagens e contratações ligadas a integrantes desses grupos. O presidente contrapôs a proposta de classificar facções como terroristas à defesa da soberania brasileira e prometeu aprovar a PEC da Segurança, criar um ministério voltado à área e fortalecer a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.
Checagem: a Lei 15.358/2026 prevê pena de 20 a 40 anos para domínio social estruturado, com aumento que pode dobrá-la para lideranças, mas isso não equivale a cumprir automaticamente 80 anos: o artigo 75 do Código Penal mantém o limite geral de 40 anos de cumprimento das penas privativas de liberdade. Para ampliar esse teto, seria necessário alterar a legislação. A afirmação de que quem rouba celular não fica preso por causa da audiência de custódia é uma generalização enganosa: o artigo 310 do Código de Processo Penal permite converter o flagrante em prisão preventiva, quando presentes os requisitos legais, além de prever outras decisões conforme o caso.
Flávio Bolsonaro chama Cristiane Gomes da Silva de Ana Clara, nome da filha morta aos 5 anos. Ao responder Lula, o senador diz confiar que o disparo não partiu do policial acusado pela morte da menina. pic.twitter.com/NDXkKywkdU
— deok (@lauricadeok) October 24, 2026
Quarto bloco: ilha de Richarlison, Vorcaro e patrimônio
Proteção às mulheres e Casa da Mulher Brasileira
Na abertura do quarto bloco, César Tralli informou que um dos três pedidos de direito de resposta de Flávio Bolsonaro havia sido concedido. O senador usou o minuto para se dirigir às mulheres e prometer o monitoramento eletrônico de agressores, associado a um sistema de alerta pelo celular da vítima. Citou como referência as medidas adotadas em São Paulo.
Flávio também prometeu criar a Casa da Mulher Brasileira, com acolhimento para mulheres e seus filhos. Disse que o espaço ofereceria cursos de capacitação e empreendedorismo e que as beneficiárias teriam acesso a financiamento barato para abrir o próprio negócio.
O candidato afirmou que pretende garantir autonomia financeira a mulheres que enfrentam dificuldade para sair de casa após sofrer violência. Mencionou o custo do aluguel e a necessidade de levar os filhos como obstáculos para romper com o agressor e apresentou as propostas de crédito e qualificação como formas de enfrentar essa dependência.
Checagem: a Casa da Mulher Brasileira já existe. O projeto foi criado em 2013, e a primeira unidade foi inaugurada em Campo Grande em fevereiro de 2015, segundo a Prefeitura de São Paulo. Um registro federal da inauguração da segunda unidade, em Brasília, em junho de 2015, já inclui acolhimento, apoio psicossocial, serviços de justiça, cuidado das crianças e promoção da autonomia econômica. O equipamento citado por Flávio, portanto, integra uma política em funcionamento. Na fala, o candidato não detalhou novas unidades nem mudanças em relação à rede já existente.
Flávio Bolsonaro promete criar a Casa da Mulher Brasileira ao falar de proteção às vítimas de violência. O serviço já existe: o projeto nasceu em 2013 e a primeira unidade abriu em 2015. pic.twitter.com/qzCaPdTwvI
— deok (@lauricadeok) October 24, 2026
Richarlison, a disputa pela ilha e as cobranças sobre a SPU
Lula abriu a rodada de temas livres perguntando a Flávio Bolsonaro sobre a disputa de Richarlison por direitos de ocupação de um imóvel na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. O presidente citou o investimento de R$ 10 milhões alegado pelo jogador e acusou o senador e o advogado Willer Tomaz de terem tomado o imóvel. Também cobrou explicações sobre a rapidez de uma autorização da Secretaria do Patrimônio da União, a SPU.
Flávio negou envolvimento e disse que a questão já havia sido decidida pela Justiça. Afirmou que Willer é seu amigo, e não seu sócio, e citou a antiga sociedade do advogado com Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça de Dilma Rousseff. Em outra resposta, acusou o empresário de Richarlison de ter prejudicado o jogador e sustentou que a compra havia sido feita de um ocupante sem direito ao imóvel.
Lula insistiu em saber se Flávio havia indicado o coronel que comandava a SPU e se sua influência teria favorecido a transferência. O senador negou ter indicado alguém e voltou a dizer que não tinha relação com o caso. O presidente afirmou que o governo examinaria a documentação e que, se a versão de Richarlison estivesse correta, buscaria reverter a situação do terreno da União.
Checagem: a disputa envolve direitos de ocupação de um terreno da União, e não a propriedade privada de uma ilha. A Folha informou, citando a Justiça do Rio, que uma ação foi extinta em outubro de 2025 sem julgamento do mérito, por renúncia de uma das partes, e arquivada após o trânsito em julgado. Portanto, o encerramento dessa ação não equivale a uma conclusão judicial sobre todas as suspeitas de favorecimento na regularização. Willer sustenta que adquiriu os direitos legalmente, e Flávio nega irregularidades; a representação ao MPF não comprova, por si só, crime ou participação do senador.
Lula insiste em cobrar Flávio Bolsonaro sobre o imóvel disputado por Richarlison. O senador nega ter indicado o dirigente da SPU e afirma que não tem relação com o caso. Veja a troca completa. pic.twitter.com/8ywD4QXsFN
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Uísque, Covaxin e acusações sobre os filmes
Flávio Bolsonaro cobrou Lula sobre um suposto uísque de R$ 500 mil que Daniel Vorcaro teria comprado para presenteá-lo. O senador afirmou que, se a garrafa rendesse dez copos, cada dose custaria R$ 50 mil, valor que comparou a 70 parcelas do Bolsa Família. Lula devolveu a provocação e questionou a participação do adversário em um passeio de barco com empresários ligados à negociação da vacina Covaxin, em julho de 2020. Flávio negou ter estado na embarcação.
A discussão voltou à relação do senador com Vorcaro e ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Lula cobrou o destino dos recursos e associou o adversário ao banqueiro. Flávio afirmou que um relatório da Polícia Federal demonstrava que os recursos eram privados, haviam sido investidos na produção e não envolviam contrapartida ligada ao mandato. Também acusou o documentário sobre Lula de receber R$ 30 milhões por fora.
Flávio ainda citou suspeitas sobre uma tentativa de captar recursos de fundos de pensão para o Banco Master e acusou interlocutores de Alexandre Padilha de negociar propina. O ministro nega envolvimento no caso. Lula rejeitou as acusações, pediu que os eleitores conferissem as declarações do adversário e insistiu na cobrança sobre o passeio de barco. O senador voltou a negar a presença e passou a questionar o patrimônio do filho do presidente.
Checagem: as mensagens divulgadas sobre o uísque indicam uma encomenda e um relato de terceiro sobre agradecimento de Lula, mas não permitem confirmar o consumo; a Secom negou o recebimento. Sobre os R$ 30 milhões, a PF negou ter recebido depoimento ou documentos de Vorcaro com o teor atribuído pela revista Veja ao financiamento de um filme sobre Lula; o pagamento não está comprovado nesta apuração. A reportagem da piauí atribui a Flávio a participação na lancha, que ele nega. E a Previc informa que as entidades fechadas de previdência complementar não tinham aplicações no Master; suspeitas sobre tentativas de captação não equivalem à confirmação de um aporte de R$ 10 bilhões.
Flávio Bolsonaro cobra Lula sobre um suposto uísque de Vorcaro. O presidente devolve a acusação e questiona o senador sobre passeio de barco com empresários ligados à negociação da Covaxin. pic.twitter.com/QB5AvOhDWw
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Patrimônio, abertura de contas e cartão corporativo
Flávio Bolsonaro cobrou explicações de Lula sobre um endereço informado por Lulinha e a relação do filho do presidente com o empresário Jonas Suassuna. O senador também retomou acusações sobre o sítio de Atibaia e o triplex do Guarujá, enquanto Lula afirmou ter encaminhado documentos e autorizações ao Tribunal Superior Eleitoral e cobrou o mesmo do adversário.
Lula propôs que os dois comparecessem à Justiça no dia seguinte para abrir as contas e insistiu na cobrança por transparência sobre o patrimônio do senador. Flávio disse trabalhar como advogado e empresário, afirmou que declara seus bens e pediu que o presidente divulgasse os gastos do cartão corporativo. Também acusou Lula de manter informações sob sigilo por 100 anos.
“Mentira, mentira e mentira, é a única coisa que esse rapaz sabe fazer”, respondeu Lula. Flávio voltou a questionar o patrimônio da família do presidente e citou Roberta Luchsinger em novas acusações contra o filho de Lula. Antes de passar às considerações finais, César Tralli informou que cinco pedidos de direito de resposta de Flávio haviam sido negados e lembrou que ambos tiveram oito minutos para se manifestar e se defender.
Checagem: Flávio omitiu que o STF anulou as condenações de Lula relativas ao triplex, ao sítio de Atibaia e ao Instituto Lula em 2021, por incompetência do juízo de Curitiba. A alegação de sigilo por 100 anos sobre o cartão também mistura regras diferentes: a Lei de Acesso à Informação prevê a proteção de informações que coloquem a segurança presidencial em risco até o término do mandato, ou do último mandato em caso de reeleição; a restrição de até 100 anos diz respeito a informações pessoais. Isso não demonstra que cada negativa concreta de acesso seja legítima, nem confirma que as contas completas dos candidatos já tenham sido divulgadas ao público.
Flávio Bolsonaro volta a cobrar gastos do cartão corporativo e faz acusações sobre o patrimônio de Lula. O presidente reage: “Mentira, mentira e mentira, é a única coisa que esse rapaz sabe fazer”. V pic.twitter.com/Ggecg8DmkP
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Considerações finais
Lula pede voto pela democracia e volta a contestar Flávio
Lula agradeceu a paciência dos eleitores e pediu desculpas por declarações que, segundo ele, o público não merecia ouvir. O presidente voltou à discussão sobre o cartão corporativo e sugeriu que os espectadores pesquisassem os gastos dos governos petista e de Jair Bolsonaro. Sem detalhar o período e o conjunto de despesas comparados, afirmou que a gestão do antecessor gastou quase 30% mais.
O petista apresentou o domingo de votação como uma escolha sobre o país que os brasileiros desejam. Disse ter biografia e uma longa trajetória de luta com os trabalhadores e recordou atividades que exerceu antes de chegar à Presidência. Pediu novamente o voto dos eleitores e agradeceu o apoio recebido.
Ao encerrar a fala, Lula associou sua reeleição à manutenção da democracia e acusou o adversário de representar a chegada de um “miliciano” ao Palácio do Planalto. “Não faça essa experiência”, disse. A acusação levou à concessão de um direito de resposta a Flávio Bolsonaro antes da despedida do candidato do PL.
Checagem: a diferença de quase 30% citada por Lula não pôde ser confirmada com segurança sem o recorte de anos, as unidades administrativas incluídas e o tratamento da inflação usados na conta. O Portal da Transparência informa que publica mensalmente as faturas dos cartões do Executivo, com exceção dos detalhes relativos a gastos sigilosos. A comparação exige bases equivalentes; o cartão cobre despesas administrativas e não pode ser tratado integralmente como gasto pessoal do presidente. A acusação de “miliciano” foi feita por Lula e negada por Flávio, sem constituir uma conclusão judicial sobre o senador.
Lula pede voto pela democracia e chama o adversário de “miliciano”. Flávio Bolsonaro recebe direito de resposta, nega envolvimento e promete combater os grupos armados. Veja a despedida de Lula e a resposta completa do senador. pic.twitter.com/UlVMYCBmHR
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Flávio nega ligação com milicianos e promete renda e segurança
Flávio Bolsonaro recebeu um minuto para responder à acusação feita por Lula nas considerações finais. O senador negou envolvimento com milicianos e afirmou que nunca foi investigado por essa ligação. Prometeu combater as milícias, classificá-las como organizações narcoterroristas e devolver a tranquilidade a moradores de áreas dominadas por grupos armados.
Na despedida, o candidato agradeceu a Deus, aos eleitores e às pessoas que enviaram apoio a Jair Bolsonaro, que classificou como injustiçado. Disse que honraria a confiança recebida e enumerou três compromissos: não fazer promessas que não possa cumprir, recuperar o poder de compra da população e defender a liberdade e a segurança dos brasileiros.
Flávio perguntou se a vida dos eleitores melhorou ou piorou nos últimos quatro anos e retomou as críticas ao endividamento e à violência. Pediu votos para o número 22, disse que o Brasil tem futuro e terminou convidando os espectadores a rezar um Pai-Nosso antes da decisão nas urnas. O minuto de resposta foi concedido após César Tralli ter informado, ao fim da rodada anterior, que cinco pedidos do senador haviam sido negados.
Checagem: as promessas de recuperar renda e reduzir a violência se referem a um eventual governo e não podem ser apresentadas como resultados já alcançados. A proposta de enquadrar milícias como organizações narcoterroristas também não descreve uma classificação automática em vigor: a Lei Antiterrorismo define atos e motivações específicos para esse crime, enquanto o artigo 288-A do Código Penal já criminaliza constituir, organizar, integrar, manter ou custear milícia particular. A existência desses instrumentos não garante, por si só, os efeitos de segurança prometidos pelo candidato.
Flávio Bolsonaro encerra sua participação com promessas de recuperar o poder de compra e reforçar a segurança. O senador pede votos para o número 22, agradece o apoio a Jair Bolsonaro e convida os eleitores a rezar um Pai-Nosso. pic.twitter.com/PdrLc2Dg5t
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