Lula encontra representantes do Wikileaks em defesa de Assange e pelo direto à informação

Atualizado em 28 de novembro de 2022 às 23:10
Joseph Farrell, Sara Vivacqua, Lula e Kristinn Hrafnsson (Fotos Cláudio Kbene)

O editor-chefe e porta-voz do Wikileaks, Kristinn Hrafnsson, e o jornalista e editor da plataforma, Joseph Farrell, foram recebidos nesta segunda, dia 28, por Lula no CCBB.

Eles conversaram com o presidente eleito sobre o julgamento de Julian Assange, que está preso na Inglaterra. O encontro é parte de uma agenda em defesa da liberdade de Assange, contra violações de direitos humanos e pelo direito à informação.

Lula perguntou da saúde de Assange em meia-hora de conversa. Questinou se ele não pega sol na cadeia. Quis saber como estava o processo na Justiça e se as cortes britânicas estavam sendo justas.

Escutou com atenção e deixou claro que tem um compromisso pessoal em ajudar na libertação de Assange.

Na semana passada, estivemos com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, na Casa de Nariño, a sede do poder executivo em Bogotá.

A ideia é convencer Joe Biden, presidente dos EUA, a perdoar Assange. Detido sem base legal na prisão de segurança máxima de Belmarsh, no Reino Unido, desde 2019, o jornalista e ativista australiano está prestes a ser extraditado para os Estados Unidos, onde pode sofrer uma pena de até 175 anos em confinamento solitário.

Lula e os representantes do Wikileaks

Assange é acusado pelo governo estadunidense de violar a Lei de Espionagem de 1917. Ele foi responsável, por exemplo, pela publicação, entre 2010 e 2011, de documentos classificados revelando crimes de guerra e campos de tortura no Iraque e Afeganistão.

A eventual condenação de Assange por essas publicações criminalizaria todas as etapas do processo jornalístico básico: solicitar, receber, possuir e publicar informações verídicas e de interesse público. A defesa do jornalista quer que os EUA retirem as acusações como forma de proteger a liberdade de imprensa em todo o mundo.

O New York Times, o Guardian e outros grupos de mídia que já publicaram material do Wikileaks divulgaram uma nota em conjunto em defesa de Julian Assange.

Nesta quarta, 30, as principais associações, sindicatos, federações e organizações jornalísticas, em demonstração de solidariedade, receberão os representantes do Wikileaks na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro.

Sara Vivacqua
Sara Vivacqua é advogada, graduada em Direito pela Ruprecht-Karls-Universität Heidelberg (Alemanha), e mestre (honours)em Jornalismo Investigativo pela Birkbeck, University of London, com menção máxima (distinction) na dissertação final sobre os povos Yanomami. Atuou como procuradora no Government Legal Department (GLD) junto ao Ministério do Meio Ambiente do Reino Unido, e é conhecida por sua atuação na campanha pela libertação de Julian Assange em Londres