Megaoperação da PF mira crime organizado em 16 estados e inaugura projeto de segurança de Lula

Atualizado em 12 de maio de 2026 às 10:27
Policiais na Força Integrada 2. Foto: reprodução

A Polícia Federal cumpre nesta terça-feira (12) 71 mandados de prisão e 165 de busca e apreensão em 16 estados durante uma megaoperação contra o crime organizado, o tráfico de drogas, o comércio ilegal de armas e a lavagem de dinheiro. A ofensiva foi batizada de Força Integrada 2 e reúne diferentes investigações deflagradas de forma simultânea.

A ação dá continuidade a uma operação semelhante realizada em março, quando foram cumpridos 116 mandados de prisão e 174 de busca e apreensão. Desta vez, segundo a Folha, os mandados são executados no Espírito Santo, Ceará, Amapá, Minas Gerais, Rondônia, Acre, Sergipe, Tocantins, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Paraná, Paraíba, Alagoas, Maranhão e Rio de Janeiro.

As operações envolvem apurações sobre diferentes crimes. No Ceará, a PF cumpre medidas cautelares em uma investigação sobre ameaças contra uma autoridade da segurança pública estadual. No Espírito Santo, a ação mira a logística de armamento de facções, com buscas em imóveis suspeitos de serem usados para armazenar armas e explosivos.

Em Alagoas, a operação investiga receptação de equipamentos da Caixa Econômica Federal, falsificação de documentos e notas fiscais, além de suspeitas de outros crimes. Em Uberlândia, Minas Gerais, a PF atua no combate ao tráfico interestadual e internacional de drogas.

De acordo com a corporação, “as investigações apontam o uso de logística aérea sofisticada, empresas de fachada e interpostas pessoas para ocultação patrimonial e movimentação de ativos ilícitos”. Apenas nessa frente, são cumpridos 41 mandados de busca e apreensão e 22 de prisão.

A ofensiva ocorre no mesmo dia em que o presidente Lula (PT) lança, no Palácio do Planalto, o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”. O plano prevê medidas de enfrentamento a facções criminosas e investimentos de R$ 11 bilhões.

Lula e Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça e Segurança Pública. Foto: Adriano Machado/Reuters

Segundo o governo federal, a iniciativa foi elaborada em conjunto com estados e especialistas da área de segurança pública. O programa terá quatro eixos principais: asfixia financeira das organizações criminosas, fortalecimento da segurança no sistema prisional, combate ao tráfico de armas e qualificação das investigações de homicídios.

Do total previsto, R$ 1 bilhão sairá do Orçamento da União. Outros R$ 10 bilhões serão disponibilizados em financiamentos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aos estados.

Na semana passada, Lula afirmou que é preciso “destruir o potencial financeiro do crime organizado”. “Eles hoje viraram, em alguns casos, empresas multinacionais”, disse o presidente ao comentar a atuação de facções em diferentes setores da economia.

As ações desta terça-feira foram realizadas pelas FICCOs, forças-tarefa que reúnem Polícia Federal, polícias civis, militares, penais, Polícia Rodoviária Federal, guardas municipais e secretarias estaduais de segurança pública.

Entre os principais alvos estão grupos ligados ao tráfico interestadual e internacional de drogas, lavagem de dinheiro, comércio ilegal de armas, roubo de cargas, receptação, uso de empresas de fachada e obtenção irregular de registros de CACs.

Em Minas Gerais, as operações Paper Stone e Rota Andina apuram o uso de aeronaves, empresas de fachada e laranjas para movimentar recursos do tráfico.

A Justiça determinou o sequestro de cerca de R$ 98 milhões. Na Paraíba e em Minas, a Operação Trapiche cumpre 20 mandados de prisão. Já no Rio Grande do Norte, a Operação Barba II mira uma organização criminosa interestadual e bloqueia aproximadamente R$ 13 milhões em bens.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.