“Melhor que delação”, diz ministro do STF sobre depoimento de Freire Gomes

Atualizado em 5 de março de 2024 às 12:41
O ex-presidente Jair Bolsonaro e o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército. Foto: Reprodução

Para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o depoimento do general Freire Gomes, ex-comandante do Exército, à Polícia Federal foi melhor do que uma delação premiada. Ele, que chefiou a Força entre março e dezembro de 2022, conversou com a corporação na última sexta (1) por mais de seis horas. A informação é da coluna de Josias de Souza no UOL.

Segundo um ministro da Corte, o interrogatório “é melhor e mais valioso do que uma delação, porque contém revelações de uma testemunha, não de um criminoso à procura de benefício judicial”. O magistrado, que acompanha o inquérito, afirma que o depoimento do general “consolidou o quadro probatório” e deu “consistência” a provas que já eram tidas como “sólidas” por investigadores.

O depoimento do general permanece em sigilo, mas o ministro revelou que ele confirmou ter participado da reunião em que Jair Bolsonaro mostrou a minuta golpista aos chefes militares. Freire Gomes ainda confirmou o que o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente, havia delatado sobre o tema.

Ao falar sobre o depoimento do general, o magistrado ainda citou um versículo bíblico usado por Bolsonaro e ironizou a situação: “Como diz o Evangelho de João: ‘Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’. A diferença é que, num inquérito policial, a verdade às vezes produz resultado diferente da liberdade”.

O ex-comandante do Exército general Marco Antônio Freire Gomes. Foto: Reprodução

Freire Gomes tem sido chamado de “traidor” por bolsonaristas e militares após o depoimento. Durante a oitiva, ele detalhou as discussões sobre o plano golpista do ex-presidente e seus aliados, e explicou o papel do Ministério da Justiça na trama.

O general prestou depoimento como testemunha e a Polícia Federal acredita que suas respostas foram esclarecedoras. Agora, investigadores querem cruzar as informações obtidas em sua oitiva com a declaração de Mauro Cid.

Durante o governo Bolsonaro, o general era pressionado por militares a aderir ao golpe de Estado. O ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto chegou a chamá-lo de “cagão” e disse que bolsonaristas deveriam “oferecer a cabeça dele”.

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