Moro enfim admite que queria o STF em livro com revelações contra Bolsonaro

Veja Moro
Sergio Moro. Foto: Evaristo Sa / AFP

Sergio Moro anuncia hoje um livro memórias “Contra o Sistema da Corrupção” (editora Sextante/Primeira Pessoa, R$ 49,90 a versão impressa e R$ 29,99 o ebook, 288 páginas). O lançamento será em 2 de dezembro e a revista Veja teve acesso antecipado ao conteúdo e conversou com o próprio.

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Moro fala de STF

Pela primeira vez, ele admite que errou ao aceitar se tornar ministro da Justiça de Bolsonaro. Ele diz que sabia antes do perfil misógino e homofóbico do presidente, mas se frustrou “pela sequência de boicotes à pauta anticorrupção”, pelo surgimento do caso Queiroz e pela aliança com parlamentares corruptos.

“Mais de 57 milhões de brasileiros escolheram o presidente e havia uma esperança de que poderia dar certo. [Pensar que] vamos ajudar o país, vamos construir algo melhor é algo que mexe com a sua alma. Teria dado certo se eu tivesse tido o apoio do Planalto”.

Ele diz que sempre cultivou o desejo de ser escolhido ministro do STF e chegou a ser aconselhado por amigos a estabelecer a nomeação à Corte como pré-requisito para entrar no governo.

O ex-ministro disse que rejeitou o aconselhamento e afirmou que foi “ingênuo” ao acreditar que sua indicação viria “naturalmente” se desempenhasse um bom trabalho no ministério.

Já desiludido com Bolsonaro, declarou que “se o meu objetivo fosse uma cadeira no STF, bastava ter concordado com a troca [na Polícia Federal] e permanecer no governo, dizendo ‘amém’ a todas as iniciativas do presidente”.

“Eu havia deixado o governo por perceber a real falta de comprometimento de Bolsonaro com a agenda anticorrupção e, mais do que isso, pela constante sabotagem às iniciativas do Ministério da Justiça”.

O ex-juiz participou de uma reunião com o presidente para tentar demovê-lo de atacar cotidianamente o então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Naquele mesmo dia o ministro do STF Gilmar Mendes,  com quem Bolsonaro se consulta esporadicamente, havia aconselhado o presidente a unificar as ações de enfrentamento à covid para evitar uma enxurrada de ações judiciais.

Nessa reunião, o que Moro não sabe é que Mendes teceu duras críticas à suposta inação do Ministério da Justiça na coordenação de políticas públicas relacionadas à crise sanitária. Ao se encontrar com Bolsonaro, Moro recebeu uma estocada do chefe.

“O Moro que me perdoe, mas são ministros como o Gilmar Mendes que resolvem as coisas”.

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