
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), foi à sede do Banco Master na avenida Faria Lima, na capital paulista, para se reunir com o banqueiro Maurício Quadrado, sócio de Daniel Vorcaro e contratado pelo jornal “O Estado de S.Paulo” para realizar uma operação de captação financeira de R$ 142,5 milhões, para sanar as contas da empresa, que tinha um rombo de mais de R$ 150 milhões.
A reunião se deu no dia 15 de agosto de 2023. Ricardo Nunes levou consigo o seu secretário da Fazenda, Luis Felipe Vidal Arellano. Também participaram do encontro o diretor estatutário responsável pelas atividades da Investment Banking e Master Corretora, Reinaldo Hossepian. Quadrado foi sócio do Master de 2020 a 2024, mas segue até hoje associado a Vorcaro em outras empresas e fundos financeiros.
A agenda do prefeito foi anunciada publicamente pela própria Prefeitura de São Paulo. A pauta da reunião e o que foi discutido entre o banqueiro e Ricardo Nunes, porém, não foi divulgado.
No site da Prefeitura, o encontro foi divulgado somente com as informações que seguem abaixo:
“15 de agosto de 2023
10h45 – Reunião com o sócio presidente da Investment Banking e Master Corretora
O prefeito Ricardo Nunes se reuniu nesta manhã com o sócio presidente da Investment Banking e Master Corretora, Mauricio Quadrado, e o diretor estatutário responsável pelas atividades da Investment Banking e Master Corretora, Reinaldo Hossepian. O encontro também contou com a participação do secretário da Fazenda, Luis Felipe Vidal Arellano.”
Veja, abaixo, reprodução do que foi publicado pela assessoria de Ricardo Nunes.

O encontro entre o prefeito de São Paulo e o banqueiro se deu depois que Maurício Quadrado já havia tido suas contas bancárias na Suíça bloqueadas, a pedido da Justiça brasileira, situação que durou de 2018 a 2022.
O bloqueio se deu na esteira de uma investigação sobre pagamento de propinas a funcionários da Caixa Econômica Federal. O ex-superintendente de Fundos de Investimento Especiais da Caixa, Roberto Madoglio, confessou em delação premiada, em 9 de novembro de 2017, ter recebido “vantagem indevida” relacionada ao aporte, em 2010, de R$ 600 milhões do FI-FGTS no Grupo Rede, ligado a Quadrado.
Segundo o delator, o pagamento de R$ 8 milhões foi oferecido pelo próprio Maurício Quadrado. Em 2022, após uma batalha jurídica que passou por três instâncias da Justiça, ele conseguiu o arquivamento do caso no STJ (Superior Tribunal de Justiça) por “falta de provas”.