Nunes foi ao Master se encontrar com ex-sócio de Vorcaro após ele ter as contas bloqueadas

Atualizado em 18 de abril de 2026 às 7:47
Imagem divulgada pela Prefeitura de SP mostra Ricardo Nunes se encontrando com sócio do banco Master na sede do banco, na Faria Lima, em São Paulo (crédito: Prefeitura de SP)

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), foi à sede do Banco Master na avenida Faria Lima, na capital paulista, para se reunir com o banqueiro Maurício Quadrado, sócio de Daniel Vorcaro e contratado pelo jornal “O Estado de S.Paulo” para realizar uma operação de captação financeira de R$ 142,5 milhões, para sanar as contas da empresa, que tinha um rombo de mais de R$ 150 milhões.

A reunião se deu no dia 15 de agosto de 2023. Ricardo Nunes levou consigo o seu secretário da Fazenda, Luis Felipe Vidal Arellano. Também participaram do encontro o diretor estatutário responsável pelas atividades da Investment Banking e Master Corretora, Reinaldo Hossepian. Quadrado foi sócio do Master de 2020 a 2024, mas segue até hoje associado a Vorcaro em outras empresas e fundos financeiros.

A agenda do prefeito foi anunciada publicamente pela própria Prefeitura de São Paulo. A pauta da reunião e o que foi discutido entre o banqueiro e Ricardo Nunes, porém, não foi divulgado.

No site da Prefeitura, o encontro foi divulgado somente com as informações que seguem abaixo:

15 de agosto de 2023

10h45 – Reunião com o sócio presidente da Investment Banking e Master Corretora

O prefeito Ricardo Nunes se reuniu nesta manhã com o sócio presidente da Investment Banking e Master Corretora, Mauricio Quadrado, e o diretor estatutário responsável pelas atividades da Investment Banking e Master Corretora, Reinaldo Hossepian. O encontro também contou com a participação do secretário da Fazenda, Luis Felipe Vidal Arellano.”

Veja, abaixo, reprodução do que foi publicado pela assessoria de Ricardo Nunes.

Prefeito Ricardo Nunes no banco Master com sócio de Daniel Vorcaro, Maurício Quadrado (crédito: Prefeitura de SP)

O encontro entre o prefeito de São Paulo e o banqueiro se deu depois que Maurício Quadrado já havia tido suas contas bancárias na Suíça bloqueadas, a pedido da Justiça brasileira, situação que durou de 2018 a 2022.

O bloqueio se deu na esteira de uma investigação sobre pagamento de propinas a funcionários da Caixa Econômica Federal. O ex-superintendente de Fundos de Investimento Especiais da Caixa, Roberto Madoglio, confessou em delação premiada, em 9 de novembro de 2017, ter recebido “vantagem indevida” relacionada ao aporte, em 2010, de R$ 600 milhões do FI-FGTS no Grupo Rede, ligado a Quadrado.

Segundo o delator, o pagamento de R$ 8 milhões foi oferecido pelo próprio Maurício Quadrado. Em 2022, após uma batalha jurídica que passou por três instâncias da Justiça, ele conseguiu o arquivamento do caso no STJ (Superior Tribunal de Justiça) por “falta de provas”.