Não há dinheiro que pague: o pequeno Roberto Carlos e o grande Robert Plant

É, bicho
É, bicho

 

A carreira de Roberto Carlos como garoto propaganda teve um fim patético, mas, eventualmente, previsível. Através de seus advogados, ele exige o pagamento de uma multa de 7,2 milhões de reais pelo rompimento do contrato com o grupo JBS, dono da Friboi. A empresa alega que deve apenas 3,2.

Tentou manter o processo em sigilo, mas o juiz negou. Segundo o Estadão, Roberto receberia 45 milhões no total pela campanha. A rescisão foi unilateral: quem não quis continuar foi a marca de carnes. O JBS teria constatado, através de um instituto de pesquisa, que o público não confia em Roberto.

Ou seja, ele estava, como gostam os publicitários, desvendendo o produto. O comercial em si já era constrangedor, dada a pouca intimidade do cantor, que até então era supostamente vegetariano, com o bife à sua frente.

Na época, o cineasta Fernando Meirelles fez circular a fofoca de que ele não tocou no prato (Meirelles é o mesmo que tentou cooptar o ator Mark Ruffalo para as hostes de Marina Silva, mas esqueceu de avisá-lo que a candidata era evangélica fundamentalista). A briga ainda envolve uma empresa do Reino Unido investigada por sonegação fiscal.

Roberto Carlos paga um preço por ter abandonado sua arte para faturar exclusivamente com o que acha que é sua imagem. É um paradoxo: o negócio é fechado por se tratar de um grande artista. Ocorre que o grande artista não produz arte há décadas. Que tipo de endosso viria de alguém cujo grande momento é aparecer num especial de fim de ano? (Sem contar o desgaste como censor de biografias).

Numa realidade paralela, o episódio poderia servir para Roberto refletir e chegar à conclusão de que o negócio dele é música. Um disco novo, talvez? O último de inéditas foi em 2000. Ocorre que Roberto é, na prática, um aposentado fingindo que ainda gosta de fazer o que o tornou famoso. Quem compraria um carro usado desse homem?

Há um limite para alguém cuja única motivação é ganhar dinheiro por ganhar dinheiro. O caso de Robert Plant é o oposto. De acordo com o Daily Mirror, o ex-vocalista do Led Zeppelin recusou uma oferta de 500 milhões de libras (cerca de 2 bilhões de reais) para se reunir com a antiga banda. Seu relações públicas desmentiu a notícia, mas a aversão de Plant à ideia de tocar com os dois sobreviventes do Led Zeppelin apenas por grana é notória.

Ele já afirmou que não deseja fazer parte de um circo e nem quer estar perto de pessoas que “gostariam de queimar nossas almas”. Ele não é “parte de uma jukebox”.

A última apresentação com John Paul Jones e Jimmy Page foi em 2007, em homenagem ao executivo de gravadora considerado por eles como padrinho. Não descarta que possa vir a aceitar uma reunião. “Mas não é por causa de dinheiro. É porque eu não estou entediado”. Isso valoriza seu passe.

Plant acabou de colocar na praça um bom álbum novo, “Lullaby and… the Ceaseless Roar”. Poderia ficar alguns milhões mais rico com um único show com o que restou do Zeppelin. Mas foge do tédio. O tédio em que Roberto Carlos chafurda e que vendia aos incautos a peso de ouro.

 

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