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O projeto Volta Grande de Mineração ameaça o rio Xingu

Obras do projeto Volta Grande de Mineração

 

Quem acredita que a Usina de Belo Monte é uma ameaça ambiental nem imagina o que ainda está por vir. Os recursos naturais da região amazônica inspiram uma voracidade insaciável que está apenas começando a se manifestar.

É o que acontece com o projeto Volta Grande de Mineração, que vem sendo realizado com pouquíssimo destaque na mídia, mas que ameaça um grande impacto ambiental. Elaborado pela empresa canadense Belo Sun, trata-se do maior projeto de mineração do Brasil, realizado às margens do rio Xingu, a cerca de 10 km da barragem da usina. Prevê a extração do ouro do leito do rio utilizando maquinário automatizado. “É uma mineração de altíssimo impacto que vai utilizar cianeto e arsênico para separar a rocha do ouro  e que no processo de extração vai formar duas megas montanhas, com volume equivalente a dois Pão de Açúcar, que ficarão ali para sempre”, explica Leonardo Amorim, advogado do Instituto Socioambiental, ONG de intensa atuação na área.

Não bastasse isso, a proximidade do empreendimento com a barragem da usina e com terras indígenas — dos araras e dos jurunas — exige ainda mais cuidado no estudo das consequências da atividade. “O projeto será construído onde a usina de Belo Monte produz mais impacto, no exato local onde o rio será desviado”, explica Leonardo Amorim.

Mas os números são capazes de embriagar qualquer empresa do mundo, mesmo aquelas que vêm de países como o Canadá, admirados por seus procedimentos ambientais. A Belo Sun, do grupo canadense Forbes&Manhattan, já divulgou aos seus investidores que extrairá, em 12 anos, 50 toneladas de ouro com um faturamento total próximo a 7 bilhões de reais. É o típico empreendimento predatório que não promove desenvolvimento na região, não produz empregos e cujos lucros não contemplam a população local de nenhuma forma — mas deixa rastro indeléveis.

Por tudo isso, surpreende o fato de que o Sema — Secretaria do Meio Ambiente — tenha dado parecer favorável à mineradora, o que representa o primeiro passo para uma licença de exploração. “Foram feitos estudos sobre o empreendimento em si, mas não foram considerado os impactos ambientais sobre as terras indígenas e nem a proximidade com a usina de Belo Monte”, alega Leonardo Amorim.

A questão no entanto foi investigada pelo Ministério Público Federal e, na semana passada, a Justiça Federal em Altamira suspendeu o processo de licenciamento.

Mas a novela está longe de acabar. Se por um lado há interesses favoráveis ao projeto, por outro, os impedimentos são claros. Um deles vem do próprio Ibama, que autorizou a construção da Usina de Belo Monte exigindo, no entanto, seis anos de testes depois do término da construção. Ao final desse período a região será submetida a uma análise do ambiente para avaliar o impacto ambiental sobre, por exemplo, a quantidade de peixes e a qualidade da água. Até lá não deveria haver nenhum empreendimento que pudesse causar impactos ambientais significativos. É mais um braço de ferro que deverá ser travado entre empreendimentos lucrativos e a busca por uma exploração equilibrada dos recursos naturais da Amazônia.

Roberto Amado

Jornalista, escritor, cineasta e advogado.

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