Perderemos o show de Onyx como interrogado. Por Moisés Mendes

"Onyx sempre foi um sujeito com atuações retumbantes em CPIs", escreve Moisés Mendes
Onyx Lorenzoni e Luis Miranda vão ficar frente a frente – Foto: Wikimedia Commons/Agência Senado

Por Moisés Mendes

Publicado originalmente no Blog do autor:

Ainda bem que a CPI do Genocídio não vai ouvir militares esta semana, porque o envolvimento de coronéis com as facções das vacinas ficou cansativo.

Teríamos na terça-feira uma atração especial, nessa que poderia ser a mais tensa reunião desde o começo dos trabalhos. Teríamos a acareação entre Onyx Lorenzoni e o deputado Luis Miranda.

Onyx já disse várias vezes que Miranda mentiu sobre os documentos relacionados com os rolos da compra da Covaxin, e Miranda diz que o mentiroso é Onyx.

Teríamos, mas parece que não teremos mais, porque Omar Aziz, Renan Calheiros e o próprio autor do requerimento para a acareação, senador Randolfe Rodrigues, já não têm certeza se vale a pena.

Onyx sempre foi um sujeito com atuações retumbantes em CPIs. Ele integrou 10 comissões. É um dos especialistas em CPIs na Câmara, com intervenções que a extrema direita considera históricas.

Se Omar Aziz e Calheiros não pegaram leve com Ricardo Barros, na semana passada, não seria com Onyx que eles atuariam com moderação.

Onyx Lorenzoni iria para o outro lado do balcão, como interrogado, e numa situação não comum de acareado.

Miranda iria mostrar seus documentos, Onyx mostraria os seus e poderíamos ficar o dia todo assistindo ao bate boca sobre quem está certo sobre o tal invoice.

Mas a acareação poderia denunciar contradições e finalmente revelar quais eram os interesses de Onyx Lorenzoni no caso, na condição ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

Algo aconteceu para que houvesse o recuo de Aziz e Calheiros. O aumento da tensão com Bolsonaro? A possibilidade de Onyx esculhambar com a CPI, como Ricardo Barros fez?

A CPI fica sem Onyx e sem Braga Netto, por achar que não pode cair na armadilha de provocar demais o ministro da Defesa.

Parece que a comissão está perto do fim e que vem aí o relatório final. Mas que relatório? O que tentará enquadrar Bolsonaro como charlatão? Só isso?

E Pazuello como fica? E as facções do centrão e dos coronéis? E as máfias da cloroquina e da Ivermectina? Aguardemos. A sensação é de que ficamos sabendo muito, mas sem que a CPI tenha obtido lastro suficiente para enquadrar todos os criminosos.

Faltou à CPI o grande momento do tropeço de um dos falcatruas que ganharam e ganham dinheiro com a pandemia. Não aconteceu o tropeço, e ninguém sabe mais o que pode resultar mesmo do que foi apurado. É uma semana bem ruim.

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