
A influenciadora Virginia Fonseca virou alvo de uma investigação conduzida pela Polícia Federal a partir de informações reunidas em Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo a revista Piauí, o objetivo é verificar a legalidade de operações financeiras envolvendo a influenciadora e empresas ligadas a ela, além da origem dos recursos movimentados e possíveis irregularidades de natureza financeira, fiscal ou relacionadas à lavagem de dinheiro.
Os relatórios passaram a ser analisados após identificarem movimentações suspeitas pelos mecanismos de monitoramento financeiro. Entre as operações está uma da Talismã Digital, empresa mantida por Virginia e seu ex-marido, Zé Felipe.

Entre março e setembro de 2024, a companhia recebeu R$ 22,4 milhões, dos quais R$ 17,7 milhões foram transferidos pela AMP Pay Marketing e Negócios por meio de cinco operações via Pix. Os valores chamaram a atenção do Banco Santander porque a AMP Pay estava enquadrada no Simples Nacional, regime destinado a empresas com faturamento anual limitado.
A empresa funcionava em um box comercial em Itajaí (SC), o que motivou dúvidas sobre sua capacidade financeira para realizar operações desse porte. A existência dos relatórios, porém, não representa comprovação de irregularidades ou crimes.
Outra frente de análise envolve a Wepink, marca de cosméticos fundada por Virginia em parceria com Samara Cahanovich Martins e Thiago Stabile. A empresa alcançou faturamento de cerca de R$ 1,3 bilhão em 2025.
A PF também investiga a origem societária do negócio após reportagens apontarem vínculos empresariais anteriores envolvendo pessoas citadas em investigações criminais. A rede Wepink tem origem ligada à Pink Lash, empresa de estética que teve como sócia Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como Japa do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Karen manteve negócios com Samara Martins e Thiago Stabile entre 2017 e 2021. Posteriormente, os dois romperam a sociedade com ela e fundaram a Wepink ao lado de Virginia e do empresário chinês Chaopeng Tan.
Karen foi presa em 2024 durante uma investigação sobre organização criminosa e lavagem de capitais. Na operação, autoridades apreenderam dinheiro em espécie e bens de alto valor. Depois da prisão, ela passou a cumprir medidas cautelares, incluindo uso de tornozeleira eletrônica.
As investigações apontam que, após a morte de Wagner Ferreira da Silva, conhecido como “Cabelo Duro” e apontado como integrante do PCC, Karen assumiu a gestão de recursos e bens ligados ao grupo por meio de empresas, entre elas a KK Participações.
O nome de Virginia também surgiu durante os trabalhos da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Bets no Senado. Em maio de 2025, a comissão solicitou ao Coaf relatórios sobre movimentações financeiras da influenciadora entre janeiro de 2023 e abril de 2025.
O material serviu de apoio às investigações parlamentares, mas a CPI foi encerrada sem consequências diretas para a influenciadora.