Ouvidoria pede afastamento de PMs acusados de vestir detidos com camisetas de Lula

Atualizado em 22 de outubro de 2026 às 22:17
Lula PM Piracicaba
Jovens detidos são escoltados pela PM em Piracicaba com camisetas de apoio a Lula. Foto: Reprodução

A Ouvidoria da Polícia de São Paulo pediu nesta quinta-feira (22) o afastamento imediato do serviço operacional dos policiais militares acusados de obrigar três detidos a vestir camisetas de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Piracicaba, no interior paulista. O órgão encaminhou a solicitação à Corregedoria da PM e cobrou esclarecimentos sobre a abordagem realizada na quarta-feira (21), na comunidade Vitória Pantanal. As informações são do g1.

Em nota, a Ouvidoria afirmou que as denúncias podem envolver violência policial, abuso de autoridade, constrangimento ilegal e práticas que, se comprovadas, configurem tortura ou tratamento cruel, desumano ou degradante. O órgão exigiu uma investigação independente, com coleta de depoimentos, imagens e registros operacionais. “A polícia não pertence a partidos, governos ou correntes ideológicas”, ressaltou.

Um dos detidos, de 21 anos, afirmou em depoimento à Polícia Civil que os policiais mandaram vestir as camisetas. Segundo seu relato, os agentes encontraram as peças em um barraco na viela e “falaram para vestir”. No mesmo depoimento, ele declarou que não sofreu violência física ou psicológica.

A mãe do adolescente apreendido, Edna Souza Barbosa, apresentou outro relato: disse que o filho usava uma regata azul e denunciou agressões contra ele e uma filha de 14 anos. A deputada estadual Professora Bebel (PT), que acionou a Corregedoria, também recebeu denúncias de que policiais retiraram camisetas de militantes na mesma comunidade. O PT pediu à Procuradoria-Geral da República uma investigação pelo Ministério Público Eleitoral.

A Secretaria da Segurança Pública informou que o Comando de Policiamento de Área 9 abriu uma investigação preliminar. A PM sustenta que recebeu uma denúncia pelo telefone 190 sobre três suspeitos que venderiam drogas usando camisetas alusivas a Lula e afirma ter apreendido um revólver, 160 porções de cocaína e R$ 340. O Ministério da Justiça também cobrou informações e a preservação de provas, incluindo imagens de câmeras corporais, de viaturas e gravações do 190.

O senador eleito Guilherme Derrite (PP), que publicou imagens dos jovens com as camisetas, afirmou que pretendia chamar a atenção para o aliciamento de menores pelo tráfico, que não fez referência às roupas e que defende a apuração das denúncias. A advogada Joice Vanessa dos Santos, que integra a defesa de um dos policiais, declarou que as acusações não retratam adequadamente a ocorrência e que apresentará esclarecimentos às autoridades.

Após audiência de custódia, o jovem de 21 anos foi solto com medidas cautelares. O homem de 24 anos permaneceu preso, enquanto o adolescente de 17 anos foi encaminhado à Fundação Casa. A solicitação da Ouvidoria não confirma que os agentes já tenham sido afastados: a PM esclareceu que a abertura do protocolo não produz essa medida automaticamente.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!