Quem foi Charles de Gaulle, líder da resistência ao nazismo citado por Flávio em carta

Atualizado em 28 de outubro de 2026 às 22:01
Charles de Gaulle
O general francês Charles de Gaulle. Foto: Reprodução

O general francês Charles de Gaulle (1890–1970), um dos principais líderes da resistência à ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial, foi citado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na carta divulgada nesta quarta-feira (28), após sua saída do Brasil para os Estados Unidos. Derrotado por Lula (PT) na eleição presidencial, o senador recorreu à trajetória do militar para justificar sua decisão de atuar politicamente do exterior.

“Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele”, escreveu Flávio Bolsonaro. Em seguida, mencionou De Gaulle como líder da França Livre, movimento organizado a partir de Londres para combater o nazismo. O senador também citou Rui Barbosa, José Martí e opositores venezuelanos para sustentar sua alegação de perseguição política. Na primeira versão do documento, apresentou-se como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, expressão posteriormente substituída por “líder do Brasil”.

Nascido em Lille, na França, em 22 de novembro de 1890, De Gaulle seguiu carreira militar e combateu na Primeira Guerra Mundial. Em junho de 1940, diante do avanço das tropas de Adolf Hitler, ocupava o cargo de subsecretário de Estado da Guerra e da Defesa Nacional. Contrário à decisão do governo francês de negociar um armistício com a Alemanha nazista, deixou o país e seguiu para Londres para organizar a continuidade da luta.

Em 18 de junho de 1940, De Gaulle fez um pronunciamento pela rádio BBC convocando militares franceses a continuar o combate. O discurso tornou-se um marco da França Livre, que reuniu forças dispostas a enfrentar a ocupação ao lado dos Aliados. Com apoio do primeiro-ministro britânico Winston Churchill, o general organizou a resistência no exterior e conquistou a adesão de territórios franceses.

Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), desembarcando de jatinho usado para fugir do Brasil para os EUA. Foto: Ricardo Arduengo/AFP

O regime de Vichy, comandado pelo marechal Philippe Pétain e colaboracionista da Alemanha nazista, condenou De Gaulle à morte à revelia em agosto de 1940. O general continuou a coordenar as forças francesas no exterior e, em junho de 1944, passou a chefiar o Governo Provisório da República Francesa, formado em Argel. Quando entrou em Paris, após a libertação da cidade em agosto daquele ano, já estava à frente da estrutura que conduziria a restauração das instituições republicanas.

De Gaulle deixou o governo provisório em 1946 e retornou ao poder em 1958, durante a crise política provocada pela Guerra da Argélia. Liderou a criação da Quinta República e foi eleito presidente por um colégio eleitoral em dezembro daquele ano. Tomou posse em janeiro de 1959 e conquistou a reeleição pelo voto popular em 1965, contra François Mitterrand.

Sua saída da Presidência ocorreu após uma derrota nas urnas. Em 27 de abril de 1969, os franceses rejeitaram, com 52,4% dos votos, uma proposta de reforma do Senado e de reorganização regional submetida por ele a referendo. Como havia prometido deixar o cargo caso perdesse a consulta, De Gaulle anunciou sua renúncia no dia seguinte, em 28 de abril. Retirou-se da vida política e morreu em 9 de novembro de 1970, aos 79 anos.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, invocou essa trajetória em uma carta na qual contesta, sem apresentar provas, a eleição presidencial vencida por Lula, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador. O resultado foi proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e reconhecido pelo próprio PL. A biografia do francês reúne tanto a resistência militar à ocupação nazista quanto a decisão de deixar o poder após a rejeição popular de uma proposta de seu governo.

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