Ramagem atuou em operação da PF que originou a “Furna da Onça”, quando houve o vazamento para Flávio Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro participa da de posse do diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem

As revelações de Paulo Marinho, suplente de Flávio Bolsonaro, à Folha são uma bomba.

Segundo ele, Flávio ficou sabendo por meio de um delegado da Polícia Federal que a Operação Furna da Onça, que atingiu Fabrício Queiroz, seria deflagrada.

O homem era simpatizante do candidato e contou que ia segura-lá para não atrapalhar o segundo turno, conta Marinho.

Marinho afirmou, ainda, que o delegado que vazou a informação sugeriu que Queiroz e a filha dele, que trabalhava no gabinete de deputado federal Jair Bolsonaro, fossem demitidos, o que ocorreu no dia 15 de outubro.

Em 2017, Alexandre Ramagem atuou nas investigações de deputados estaduais suspeitos de corrupção. Chamava-se Operação Cadeia Velha.

A base foi o depoimento do delator Carlos Miranda — que serviu para deflagrar a Furna da Onça.

Ambas são desdobramentos da Lava Jato no Rio.

“O conluio criminoso se traduzia em excessivos benefícios fiscais em favor de determinadas empresas e empreiteiras, que levaram a que o estado deixasse de arrecadar em um período de cinco anos mais de R$ 183 bilhões, ocasionando o atual colapso nas finanças do estado – com este efeito avassalador que essa corrupção sistêmica causou à administração pública”, afirmou Ramagem.

Ele se aproximou do presidente e dos filhos ao assumir a chefia da segurança de Bolsonaro após o fim do segundo turno, em 2018, durante o período de transição do governo.

“Ele ficou novembro e dezembro, praticamente, na minha casa. Dormia na casa da vizinha, tomava café comigo, aí tirou fotografia com todo mundo. Foi no casamento de um filho meu. Não tem nada a ver a amizade dele com o meu filho. Meu filho conheceu ele depois”, confessou Bolsonaro.

“E eu confio, passei a acreditar no Ramagem, conversava muito com ele, trocava informações. Demonstrou ser uma pessoa da minha confiança, então a partir do momento que eu tenho uma chance de indicar alguém pra PF, por que não o indicaria?”

Como se sabe, Alexandre Ramagem foi impedido pelo STF de assumir a diretoria geral da PF.

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