Salve Sabrina Nery, a ciclista que encarou os fascistas que agrediram enfermeiros. Por Kiko Nogueira

Atualizado em 2 de maio de 2020 às 13:28

We can be heroes just for one day, cantou David Bowie.

Nós podemos ser heróis, nem que seja por um dia.

A ciclista que reagiu aos covardes que atacaram enfermeiros que participavam de ato em Brasilia deu uma lição importante.

Um usuário do Twitter a identificou como Sabrina Nery, amiga dele.

O Brasil chegou ao ponto em que profissionais de saúde que arriscam a própria vida para salvar outras em hospitais são alvo de fanáticos.

Vestidos de jaleco e com máscaras de proteção, eles homenageavam os 55 colegas que morreram na linha de frente do combate ao coronavírus.

Membros da seita bolsonarista apareceram para chamá-los de “esquerdopatas”. “Sem vergonha”, “covardes”, “analfabetos funcionais”, gritavam.

Um grandalhão, identificado pelo DCM como Renan Sena, tentou brigar enquanto cuspia perdigotos. Nada de polícia, nem um mísero apito da segurança que fica na Praça dos Três Poderes.

Na saída, os bolsominions cruzaram com uma moça de preto numa bicicleta.

Nas imagens de vídeo, Sabrina Nery aparece descendo da bike e partindo para cima dos fascistas após ser hostilizada. Contou que levou uma cusparada após defender os enfermeiros.

Sabrina chegou a ficar cercada. Você pode dizer que ela não teve muito juízo, mas como culpá-la?

Não adianta a resistência pacífica diante desses monstros. Eles não vão parar enquanto não souberem que não podem tudo. E para isso não adianta nota de repúdio ou lacração.

Sabrina, heroína por um dia — como o haitiano que foi à casa do inimigo dizer que ele não é mais presidente.

Dada a repercussão das cenas nas redes, ela criou uma conta no Twitter.

Explicou seu ato: “Sou estudante de medicina, ele estava totalmente agressivo. Batendo nos enfermeiros, que estavam no seu direito de manifestar”.

O segredo diante da peste é decência, como define o médico Rieux de Camus.

A oposição covarde não faz sua parte? Façamos a nossa.

Um salve para a Sabrina Nery, para o haitiano e para os que não se dobram e não se omitem.